Carlton Private Hospital

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Carlton Private Hospital

Mensagem por Mestre do Jogo em Dom 28 Dez - 19:12



Downtown, Canadá Way, 4125 é onde está localizado o Carlton Private Hospital, o maior centro médico de Vancouver.

Ser admitido no quadro de colaboradores do Carlton Hospital é como ser recebido no Eldorado. Muitos profissionais de primeira linha tentam constantemente uma vaga na instituição, mas nem todos conseguem. Construído 20 anos atrás, o hospital conta desde o início com equipamentos avançadíssimos e investe pesado no setor de pesquisa e desenvolvimento para oferecer a seus pacientes e à comunidade de Vancouver os melhores serviços médicos que o homem pode prestar.

O Carlton Private Hospital conta também com o principal banco de sangue de Vancouver, fato que o torna um dos hospitais mais indicados para aqueles que precisam de cirurgias muito invasivas ou para vítimas de acidentes graves e doenças como hemofilia. O Chefe do hospital é o Dr. Gregory House, que após anos de serviços dedicados ao hospital como Chefe do departamento de infectologia e nefrologia viu finalmente as portas se abrindo para ele. Alguns dizem que estas portas teriam se abrindo muito antes, não fosse o humor rascante e ácido deste britânico que se mudou para o Canadá ainda jovem.

Grande e imponente, o prédio conta com vários departamentos como: oncologia, clinica geral, pronto-socorro, pediatria, geriatria, obstetrícia, entre tantos outros. No início ele começou como um hospital da rede pública, mas quando os investimentos para manter-se como uma referência no quesito atualização de equipamentos, treinamento e procedimentos se mostrou maior que as verbas da prefeitura a Direção propôs um acordo com o município para ceder parte da administração à iniciativa privada. Desde então o CPH busca diariamente por doações tanto das empresas quanto dos cidadãos de Vancouver, e graças a isso consegue continuar prestando serviços de primeiro mundo a seus pacientes, a custos módicos.

Assim como a polícia, o hospital tem notado uma mudança na cidade. Antigamente os casos de pacientes internados por disparos de armas de fogo, armas brancas e demais acidentes causados por brigas domésticas ou não era nitidamente menor do que os que ocorrem hoje. Também começam a ocorrer mais atendimentos para pacientes com isquemia e anemia, o que é tão raro quanto curioso já que após levantar o histórico médico destes pacientes constata-se que nenhum deles era propenso a alguma destas complicações.

Não bastasse estes problemas, este mês aconteceu o terceiro furto do ano no Banco de Sangue, fazendo o estoque diminuir drasticamente e levando a vários comunicados na imprensa escrita, falada e televisionada procurando doadores para poder normalizar novamente o abastecimento de sangue. Mesmo com a presteza dos doadores foi impossível salvar todas as vidas que precisavam de sangue para cirurgias de emergência.

Uma nuvem negra começa a se formar no horizonte de Vancouver, e o Dr. House sabe que a tendência é piorar...

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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Erick Horkheimer em Qua 8 Fev - 21:51

Pela manha todos estavam no jardim aguardando o duelo. Não demorou muito até Scott aparecer com aquele sorriso brilhante e com a sua espada celta bem popular entre a família do segundo brasão. Logo aparece Erick com dois machadinhos de guerra com forma dos corvos de Odin. Ele escuta alguns uivos de alguns de seus primos e gargalhadas de outros, respirou fundo e caminhou até o centro onde Scott o esperava.  

Os anciões fazem o gesto com as espadas e o duelo se dá início. Scott tenta irritar Erick com ofensas e comentários tentando tirar sua concentração, eles apenas sorriem. A espada e machados se cruzam e o duelo começa a esquentar. Seus avós impuseram as regras de que era apenas para desarmar seu oponente, porém, entre amor e odeio aqueles irmãos não sabiam o que sentiam nem como aquele duelo acabaria.

Erick deslocou o braço do Scott que com um movimento da espada faz um pequeno corte do ombro esquerdo de Erick. Entre uma investida e outra, Erick leva um soco de Scott o deixando um pouco atordoado, porém, ele conseguiu balançar o braço esquerdo que por pouco não acerta o pescoço de Scott que se esquiva rapidamente, mas não rápido o bastante. A lâmina do machado de Erick deixa um corte na orelha direita de seu irmão e um fio de sangue escorre na lateral de seu rosto. A luta segue por um longo tempo, os dois irmãos tinham habilidades muito parecidas, eram cuidadosos e estudavam seus movimentos cuidadosamente, até Scott desarmar e render Erick que por um instante desviou seu olhar para sua mãe que chorava e implorava que parassem.

Scott coloca a espada em sua garganta e segurando em seu cabelo ele puxa a cabeça de Erick para trás. Ambos estavam cansados, sem folego. Um sorriso de satisfação se estampa no rosto de Scott, ele engole a saliva e sussurra. – Eu ganhei irmãozinho, agora você será esquecido como eu fui após meu exílio. Ele da uma gargalhada e retira a espada do pescoço de Erick.

Scott era mais forte e atlético, se machucou um pouco, já Erick foi levado para o hospital com a ajuda de Saymon e Morrigan ambos seus primos. Após o médico tratar dos ferimentos de Erick ele comenta sobre os mesmos.

Foi uma bela briga.

Saymon meio nervoso fecha a mão e estala os dedos se aproximando de Morrigan. – Temos que despedir dele. A bela moça então se levanta chamando atenção do medico pela sua formosura e sua voz doce. – Como ele está fisicamente? O médico olha o prontuário. – Alguns dias de recuperação e ele estará pronto para ir pra casa. E um conselho, peça para ele não reagir quando for assaltado. Disse o médico em um tom sério e preocupado.

Erick estava dormindo por conta dos remédios, Morrigan da um beijo em sua testa e tenta não chorar, Saymon sente raiva pelo o que aconteceu e ainda mais raiva por ter quer ir embora do Canada a força pelo seu avô Pierre. – Desculpa Erick, você não falhou, tentou até o fim... Ele começa a chorar. – ...e olha que fizeram com você, terei que ir.

Ambos entraram no carro e se dirigiram para a mansão pensativos. Ao adentrarem pelo portão principal perceberam que Scott não perdeu tempo, havia um corretor imobiliário, a mansão estava a venda. As coisas mudariam muito rápido por ali, mais rápido do que Erick imaginava.

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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Alyss Liechtenstein em Dom 26 Mar - 11:55



Rarefeita empolgação




A sala de vítreas divisórias era um peculiar recôndito às altas horas da noite, já desaguada em madrugada, naquele momento. Apesar da suntuosa placa indicativa na porta, a doutora von Prios mantinha a austeridade longe de seu escritório, a despeito até mesmo das especiais particularidades de sua vida – acadêmica ou não. Especialmente naquela noite estava revisitando históricos de seus atendimentos à emergência clínica do hospital, ao mesmo tempo que o modesto televisor passava a recorrente manchete da noite: ”Corpo celeste colide com a cordilheira das Montanhas Azuis”. Pelo tanto que falavam disso para acautelar e mesmo desencorajar curiosos, verdade seja dita: pareciam querer ver o circo pegar fogo. E quando a mídia não fazia isso? – pensou Alyss com um leve sorriso a crescer em tão alva face. Finalmente encontrava o que procurou e sentou-se na poltrona, pensativa. Queria ela apenas certificar-se que sua desconfiança era fruto do imaginativo: na primeira vez que trabalhou no atendimento emergencial, não sabia das excentricidades do tal Roxy Nightclub – ou coisa assim, nunca lembrava o nome, pois preferia chamar de espelunca. Então ela acabou pedindo um hemograma completo de um caso em particular, notando anormalidades compatíveis com baixa volemia. Então soube das costumeiras entradas à beira do coma alcóolico, das festas e dos desaparecimentos. A dedução lógica da jovem doutora foi simples: poderia ser um disfarce para tráfico de órgãos e tecidos humanos - ou pelo menos de sangue, sempre bom para pesquisas clandestinas. Um escândalo, certamente, mas fazia sentido aquilo na sua cabecinha, embora tivesse que admitir: o lugar tomava medidas para impedir tais ocorrências de desaparecimento. Sentia-se quase a “louca dos gatos” teorizando uma conspiração e todo o histórico que mantinha de seus poucos atendimentos gritavam que ela estava procurando chifres no animal errado... Suspirou. Não havia nada palpável daquela desconfiança e os sujeitos poderiam simplesmente terem cometidos práticas nada saudáveis dia anterior ou mesmo no dia em que se embebedaram. De certa forma, Alyss sentia o alívio tomar seu corpo, propagando um relaxar bem-vindo. Guardaria o alvo de sua preocupação depois: papéis e prontuários pela mesa, simplesmente olhando o teto por algum tempo. Até que o celular tocou. No meio da madrugada.

Atendeu com auxílio do fone, miraculosa engenhoca que deixava ela menos desgostosa com aquele irritante e indiscreto aparelho que era-lhe o celular. Do outro lado, ouvia-se claramente uma respiração ansiosa e um riso, para não se dar o comum e genérico “alô”, mas sim:

"Eu sabia! Sabia que estaria acordada, arrumando o quarto do seu filho morto!"

Alyss suspirava, à beira do exaspero. Então olhava para o teto e sorria, respondendo em gracioso tom mordaz: - Essa expressão é terrível, Stephen. Não estava arrumando nada, às vezes, gosto de atender na clínica e montar um...

"Um amontoado de desconfiança. Uma bobagem sem tamanho! Ainda acho que tudo isso é uma desculpa para não conhecer o clube. Admita, sua medrosa! Está com medo das noites canadenses." – e aquele riso quase irritante, quase soluçado, atentava contra a temperança de Alyss. Não tomasse o cientista por amigo, já teria o mandado às favas. Pois bem, respondeu-lhe:

- Há substancial diferença entre minha falta de experimentação nestas... Nestes... Veios alienígenas... E uma simples covardia. Mas não me ligou à esta hora para saber de meus transtornos noturnos. Ou sim? Há quase galanteio nisso, Stephen. Controle-se. – e ela ria, tanto quanto do outro lado risadas somavam-se àquela conversa amena e sem sentido. Principalmente por que Stephen era casado e homossexual, fazendo entre eles um elo de quase irmandade. Não demorou para dele obter um retorno:

"Sim, perspicaz, senhorita von... L. Liguei por que deve ter visto a notícia do momento e estou me organizando para ir até o local da queda, fazer uma inspeção e também para coletar algumas amostras. Gostaria que nos acompanhasse." – e desta vez o tom era mais moderado, trazendo à tona a seriedade do contato. A médica, porém, não pareceu comungar com tais razões:

- Está realmente convidando uma médica para ir nos entornos de uma densa floresta, à noite, quando uma estrela ou seja lá o que for caiu? Tem noção de o quão... Peculiar e sem sentido é seu pedido?

"Não é sem sentido. Você é uma personalidade da imunologia, da hematologia. Precisamos mensurar o impacto dessa queda no sist-

Mas Stephen não tinha tempo de concluir seu pensamento ou mais arguir. Alyss o interrompia simplesmente, negando uma das regras basilares da cortesia: - Meu querido, precisas de um biólogo, quiçá um veterinário. Ou um aventureiro. Não irei me dispor à ir num lugar de predadores noturnos apenas para tentar angariar a exclusividade de algum achado científico. Ursos, lobos e sabe Deus quantas espécies de serpentes encontram-se à espreita. Definitivamente, desejo-lhe boa sorte na empreitada. Se adoecer, cuidarei de ti, não se preocupe – depois de me certificar que não está com radiação ou teve contato com... Extraterrestres. – concluía em tom de gracejo, não tão bem recebido quanto as demais e anteriores falas. Alyss tinha um ponto e Stephen acabava por arrefecer da vontade em argumentar. Não deixava de concordar com ela, ao mesmo tempo que precisava compor uma equipe para o local... Um dilema que não deveria vir de encontro com a amizade que mantinham. Portanto, ele foi categórico em sua resposta:

"Entendo. Foi uma colocação... Adequada e satisfatória. Mas pelo amor de Deus, Alyss, saia um pouco desse maldito hospital. Faça jus aos cabelos coloridos, vá andar por aí, se alegrar e divertir! Se precisa de uma escusa científica, vá fazer um estudo de campo dos locais que separou para analis-" - uma vez mais calavam Stephen, mas não era a intrepidez da amiga e sim a voz mais amável do marido, Wagner.

"Vá investigar o Roxy! Tenho certeza que vai gostar... Ou arranjar mais minhocas para cultivar nessa cabecinha! Agora vamos nos arrumar para ir à floresta! Oh my, espero que tenham escoteiros lá!" – e ele ria, enquanto sua contraparte bufava num ciumento momento. Alyss ria e era o bastante para que pudessem despedir-se na ligação, sob uma promessa de que iria, talvez, passar pelo The Roxy, ainda que estava crente que deveria ter menos movimento naquela hora.

Com precisão ela reorganizou toda a documentação que guardava – o “quarto do filho morto” – segundo Stephen, que ela sempre visitava quando estava em silêncio improdutivo. Era realmente um costume que devia abandonar, depois de meses comprovarem a falta de sentido na desconfiança. Balançou os ombros distraída, para si mesma, chaveando a gaveta e desligando o televisor. Pegava as chaves da moto – sempre preferível ao carro – e trancava a sala, retirando do bolso o papel com sua “lista do dever de casa canadense”, que eram lugares citados e de sobreaviso para conhecer. Naquela noite, riscaria o primeiro ponto, finalmente: The Roxy Nightclub. Era uma vergonha realmente morar há pouco mais de um ano naquele país e nunca sair para conhecê-lo, principalmente quando era tão mais agitado do que sua terra natal, Liechtenstein e mais alegre do que a tão íntima Áustria.

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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Destiny Saint-James em Dom 16 Abr - 21:46


Destiny abriu os olhos e se não tivesse sido acordada por um sonho, teria sido mais um despertar normal, como todas as noites. Há quantas eras a vampira não tinha aquela sensação não sentia aquele comichão a ponto de despertá-la de seu estado letárgico.

Ela sabia que vampiros não sonhavam, sabia que eram seres desprovidos de qualquer sensação ou ação mortal, que não respiravam, não transpiravam, não dormiam e por isso Destiny sentiu-se incomodada com a situação, sabia que aquilo não era algo rotineiro produzido por seu corpo sem vida.

Sentou-se numa poltrona, trajando ainda a camisola de cetim preto, e num gesto despercebido arrumou os cabelos ainda amassados. A mente indo e vindo, rememorando aquele estranho sonho, aliás, aquela estranha mensagem, ela tinha certeza aquilo se tratava de uma mensagem imbuída em sua mente.

- Mas aquilo era obra de quem? Edward, Lucian.... Não, definitivamente, não podia ser obra de nenhum deles, eles não eram capazes de algo daquele tipo, não com ela, não daquele modo, tão facilmente, tão nítido, tão vívido. [OFF – Rá - /OFF]

- Mas de quem seria? E que imagens eram aquelas? Na visão, Ela via claramente o Hospital de Vancouver, mas os sons eram embaralhados, ela ouvia o choro de crianças, uma fala constante e sibilante chamando seu nome.

Ela não ganharia nada ficando ali sentada e tentando adivinhar o que era e o que não era aquela visão, seus instintos lhe diziam que ela deveria ir e averiguar o local.

Enquanto se vestia, ainda podia sentir a visão, como se queimasse sua pele, ela conseguia ouvir uma voz sussurrando seu nome, num chamado cada vez mais urgente, o choro de crianças de colo tornando-se cada vez mais incessante, zumbindo em seus ouvidos, a ponto de tornar-se inquietante, irritante aos tímpanos.

Até mesmo a incessante fome que a acompanhava diariamente em seu despertar, naquele dia estava amainada, quase inexistente e suas sombras um pouco mais caladas que no habitual, como se também tentassem averiguar, ouvindo atentas a voz que as chamava.

...

Ela tinha uma rota fixa em sua mente, sabia onde estacionaria o carro, sabia que pararia, antes de entrar no Hospital na loja de presentes no térreo do Hospital e compraria um balão escrito “É uma menina!”, para tentar mesclar-se na multidão, portando-se como só mais uma visitante. E não, Destiny jamais havia pisado no Hospital, mas mesmo assim, sabia que a loja ficava no térreo e a Maternidade no Terceiro Andar.

Enquanto pagava o balão, e saía rumo ao Terceiro Andar, Destiny parou drasticamente, inquieta, mais do que já estava. Ela sabia quem estava pregando aquela peça em sua cabeça, e sabia exatamente quem iria encontrar.

- William Shaw – Destiny falou o nome num esgar misturado de ódio e nojo. Ele já havia brincado com a mente dela antes, se estivesse fazendo isso agora, novamente, ele se veria com ela.


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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Pinhead em Dom 16 Abr - 21:50

A cabeça de Eddie deu um giro completo de forma tão intensa que o fez tatear loucamente o ar até encontrar algo em que pudesse se agarrar para evitar uma queda e por um instante todo o conteúdo de seu estômago agitou-se como lava derretida tentando escapar das entranhas da terra, abrindo caminho até a superfície do vulcão que se tornara seu rosto vermelho e brilhoso de suor.... mas uma cuspida do que (para Eddie) se parecia muito com ácido sulfúrico foi tudo o que saiu de seus lábios grossos, mostrando que a erupção ainda não estava em condições ideais, mas trabalhava nisso.

Limpando a boca com as costas da mão esquerda enquanto retomava o equilíbrio ele viu o grupo de crianças dobrar a esquina vindo em sua direção com suas bicicletas barulhentas, guiando distraidamente enquanto conversavam e riam de alguma besteira que faz as crianças rirem. Eram 4, um moleque gordo como um leitão cevado vestindo moletom azul com uma grande letra “N” bordada no peito sob o qual as tetas balançavam a cada pedalada; um magricela de cabelos escuros com aqueles cortes de cabelo de bichinha que deixava a franja comprida o suficiente pra cair sobre os olhos e que parecia que iria estourar de tanto rir; um ruivo que era desajeitadamente alto demais para o tamanho da bicicleta infantil que montava e tinha olhos espertos de um castor em um rosto coberto de espinhas e uma garota de cabelos castanhos compridos com as bochechas grandes e ruborizadas pelos sorrisos.

Eddie Hanscott teve que ralhar alto com elas para evitar o choque de ser atropelado por aqueles quatro imbecizinhos:

- Shaiam daqui, seus pivetish deshgrachados! – foi o máximo que conseguiu dizer com gotículas de saliva voando da boca e algumas escorrendo pelo queixo a baixo, poucas e ininteligíveis palavras, mas altas o suficiente para espantar as crianças que ziguezaguearam atabalhoadamente em volta dele “quase” sem tocá-lo, o “quase” foi quebrado pelo punho esquerdo de borracha do guidão da bicicleta da garota de cabelos castanhos que atingiu em cheio o quadril de Eddie, fazendo-o uivar de dor.

- Shua piranhazinha vagabunda, eu vou pegar voshe!!! – berrou Eddie Hanscott, cheio de uma dor quente e pulsante que latejava pela lateral de seu corpo, se alastrando por ela. É claro que ele não poderia pegar ninguém, apesar de ter tentado, estava bêbado como um gambá e se tivesse tirado a mão direita do poste em que se apoiava firmemente, seria um gambá estirado no chão. Lágrimas de ódio e dor turvavam seus olhos enquanto ele voltava-se para ver a “quadrilha” infantil sumir à sua frente, pedalando desenfreadamente para se livrar do bêbado maltrapilho que queria lhes dar uma bela surra.

Mas Eddie Hascott não era maltrapilho. Era um respeitado engenheiro civil da cidade. Por Deus, seus sapatos custavam quase mil dólares, o terno amarrotado e cheirando a álcool e impregnado com fumaça de cigarro valia o suficiente para pagar o aluguel de três meses de qualquer casa mediana do subúrbio. Não... Eddie não era nenhum maldito maltrapilho, era um engenheiro civil respeitado da cidade, se estava bêbado eram outros quinhentos, e apenas por estar passando por uma fase difícil no trabalho, uma fase que perdurava por quase um ano e meio agora, que direito divino os outros tinham para criticá-lo? Não era sua culpa que a economia de merda estivesse tão ruim, nem que a última ponte que ele projetou tivesse desabado por um erro de calculo nos alicerces obrigando-o agora a pagar o processo que a cidade movia contra ele e sua firma, ele era bom de cálculos, e nenhum filho da putinha podia dizer o contrário ou insinuar que a bebida já estava naquela época corroendo sua capacidade de ordenar os números na cabeça.

Aquilo era culpa da Cadela Branca, aquela maldita piranha com quem ele se casou e teimava em desrespeitá-lo a todo momento. "É como conviver com uma criança!", ele pensava. A primeira porrada que ele deu esmagou o nariz dela, manchando aquele rosto delicado do Sul com sangue, isso foi por ela ter teimado em fumar dentro de casa como uma vadia, apesar das várias vezes que ele insistiu para ela deixar aquele hábito nojento... ela primeiro encheu os olhos verdes esbugalhados de lágrimas, depois choramingou e tentou se defender com as mãos no rosto enquanto o sangue escorria, perguntou por que ele havia feito aquilo. Bem... era hora do velho Eddie fazer ela se lembrar de com que porra de homem ela estava lidando, se a vadia não aprendia com palavras, então aprenderia na base da porrada, e socou ela de novo, dessa vez na boca do estômago, fazendo-a expelir todo o ar dos pulmões e dobrar-se sobre si mesma.

- Porque, Cindy, eu mandei você parar com essa porra de cigarro, e quando o Eddie manda, a Cindy obedece, certo?

- Certo?


Ela olhou tremendo pra cima e viu a fúria reluzir nos olhos dele, e encolheu-se como uma criança. Aquilo o encheu com uma sensação sublime de poder sobrenatural e ele sentiu seu pau se avolumando sob o tecido da calça sob o comando da ereção que começava a se manifestar.

- Por que você fez isso, Cindy? Ahn? Sua vaca burra, por que você me obrigou a te socar? Você acha que pode me desafiar aqui, na porra da minha casa, e sair cantarolando? Que merda tem na porra dessa sua cabeça?

Ela disse que esqueceu... não esqueceu mais depois de alguns chutes que ele deu nas coxas e costas dela no chão. Cindy aprendia devagar as coisas, como ele mesmo reparou, mas não havia problema, ele estava ali para lembra-la da ordem natural das coisas: Um palavrão (fora da cama) custava dois socos, na boca; um beliscão era o resultado por deixar a carne passar do ponto de mal passada; eventualmente haviam as surras de cinta quando a cadela ousava insinuar como ele deveria agir em determinadas situações... o resto das punições eram resumidos a socos e chutes diversos em qualquer parte dela que estivesse ao seu alcance, e quando estavam longe demais ele usava o que estivesse à mão para atingí-la. Todo esse processo de aprendizado da Cadela Branca resultou em alguns ossos quebrados ou trincados, torções de tornozelo, deslocamentos de ombros entre outros de forma que com o tempo alguns termos passaram a ser habituais em suas conversas com estranhos: “Eu me desequilibrei no topo da escada do porão”, “Bati contra a porta da geladeira quando estava desatenta”, “Sofri um acidente de esqui”. Óculos escuros e blusas de mangas e golas compridas viraram parte fixa de seu figurino.

Uma vez, só uma vez (antes do incidente da ponte), ela deixou escapar a mais leve sugestão de que faria muito bem para a saúde de Eddie se ele começasse a diluir um pouco dos seus drinks com água, isso talvez fosse ajudar a amenizar as enxaquecas que ele sentia no dia seguinte, que a deixavam tão arrasada por vê-lo com dores, porque ela o amava muito. Nesta ocasião ele chegou a se preocupar um pouco quando ela ficou inconsciente e pareceu não respirar mesmo depois de todo o esforço que ele fez para acordá-la após ter lhe dado a maior lição de Eddie Hanscott sobre a terra.

Os paramédicos que prestaram os primeiros socorros na rua, fazendo-a acordar, e os médicos que deram o prosseguimento no hospital pareciam decididos a denunciar Eddie para a polícia, foi preciso pedidos desesperados de Cindy para demovê-los desta intenção, explicando entre soluços e lágrimas que ela havia sido atropelada por alguém que não parou para prestar socorro enquanto ela fazia sua corrida noturna em que absolutamente ninguém mais estava na rua e todos dentro das casas não haviam ouvido ou visto nada por estarem ocupados com o jantar e conversando e fazendo as coisas que as famílias fazem.

Médicos, vizinhos abelhudos, policiais, todos uns merdas de uns frescos que não eram capazes de encarar que, as vezes, um homem tem que mostrar pra mulher quem é que manda, ou a ordem vai pro caralho. Uma surra as vezes cai muito bem, obrigado. Eddie foi espancado várias vezes quando era criança na fazenda dos Hanscott, e por motivos muito menores, como quando o Red Sox perdia um jogo, por exemplo... e nem por isso ele se transformou num adulto chorão e mal educado, ao contrário, aquelas surras serviram para lhe mostrar que na vida você paga um preço por fazer as coisas erradas, e com a ajuda de Deus todo poderoso, se você não fosse burro o suficiente, acabava aprendendo uma coisa ou outra após ter apanhado o bastante, e foi assim que Eddie aprendeu e foi assim que Eddie passou a educar sua esposa.

E era assim que ele a educaria de novo esta noite. Pra ela aprender que quando ele chegava em casa um pouco alto, ela deveria estar pronta para levar umas boas porradas antes de ficar de quatro pra que ele arrancasse a calça e a calcinha dela e a enrabasse até ela gritar de tesão e prazer como ela sempre fazia quando ele a pegava desse jeito... sim, o velho Eddie sabia o quanto ela gostava daquilo, aquela meretriz burra, e se ele não ficasse duro, ou se não conseguisse gozar... ahhhh... pobre Cadela Branca... aí ela levaria porrada de verdade... não as carinhosas que ele dava antes da transa, não... seriam aquelas que faziam os ossos estalar.

Ele já estava se virando para terminar de cruzar a entrada do Carlton a caminho de casa, olhou com nojo para a entrada do hospital, lembrando-se da petulância dos médicos (com dois seguranças atrás deles) quando veio buscar Cindy depois de uma das suas lições mais vigorosas, o olhar reprovador, as ameaças veladas. Ele mandou eles enfiarem os avisos no cu, ou que tentassem provar que a mulher não tinha quebrado o braço e a bacia por ter escorregado na entrada congelada da entrada de casa naquela manhã de inverno, como ela insistentemente relatou a quem quer que a perguntasse sobre a causa daqueles ferimentos.

- Ela é uma desgraçada burra, você não vê? Pessoas burras, às vezes caem. – resmungou ele, antes de dar as costas e levar a cadeira de rodas do hospital com a Cadela Branca sentada em cima pro carro.

Lembrar daquilo só o deixou com mais vontade de dar “umas belas porradas” nela quando chegasse em casa. Primeiro as porradas, depois o cuzinho, depois a cama, nesta ordem.

Mas antes de conseguir seguir em frente, Eddie viu um cara de preto se aproximando. A visão embaralhada não lhe permitiu ver o sujeito direito, mas parecia que ele estava vestindo uma porra de um vestido. “Ótimo, mais um viado nessa merda de cidade”, pensou ele, e já estava pronto para perguntar se o cara tinha vindo até o hospital pra tirar uma piroca de borracha que ficou entalada no rabo quando a proximidade o fez perceber que tinha alguma merda muito errada com a cabeça daquele camarada.

- Mas que porra é esha? – balbuciou ele, piscando forte por 3 vezes para fixar melhor os olhos, recusando-se a acreditar que aquilo era o que parecia ser... mas era. A estranha figura de preto estava com a cabeça coberta de pregos fincados profundamente, ele parecia a porra de uma almofada de alfinetes, e caminhava como se estivesse andando normalmente em uma noite estrelada, sem a menor preocupação com as pontas metálicas que com certeza deveriam estar encravadas nos ossos da sua cabeça. Não... aquilo não podia ser real... tinha que ser uma fantasia, daquelas que os idiotas e as crianças usam em noites de Halloween.

- Tira esha fantasia, sheu eshquishitão de... de merda... – ralhou. Parecia que todo o mundo naquela merda de noite tinha decidido coletivamente em irritá-lo.

- Tira esha porra... sheu... arrombado. – ele iria ensinar aquele pederasta a não irritar Eddie Hascott, ahhhh se ia...

Eddie cambaleou sobre as pernas, levantando os braços, pronto pra “meter uma bela porrada” naquele viado enrustido quando o esquisitão olhou para ele e não havia vestígios de branco naqueles olhos, nem emoção, nem intenção, apenas o preto vazio e opressivo e antes que o senhor Hanscott pudesse esboçar qualquer reação a boca de lábios finos da criatura de preto moveu-se e formou palavras malignas que saíram sob os pregos, palavras que Eddie não entendia, nem entenderia, mesmo que estivesse mais sóbrio do que um padre numa missa de domingo.

- Ungalash mediev há.

A noite pareceu se adensar à volta de Eddie, que observava perplexo sobre as pernas vacilantes... era como se as luzes dos posts e do interior do hospital estivessem diminuindo, sendo sugadas pelas trevas que se avolumavam como uma coisa viva e agourenta. Eddie sentiu o medo começar a crescer dentro de si, como uma criatura pequena que se desenvolve rapidamente, ganhando espaço em seu estômago. Algo em seu cérebro embriagado o avisava para sair dali, mas ele não conseguia fazer suas pernas perceberem aquele aviso, elas pareciam não estar nem aí pro que o velho Eddie Hanscott queria ou não.

Sons metálicos começaram a soar distantes, não o som de carros em movimentos, ou de ferramentas, ou de placas agitadas pelo vento... parecia muito com o som de... correntes... sim... com o som de elos metálicos arrastando pelo chão. Os olhos de Eddie começaram a ficar marejados, o rubor de suas bochechas agora eram acentuados por pânico e não só por álcool. Cheiro ácido de urina fresca subiu de suas calças enquanto o líquido incolor começava a escorrer quente por sua perna grudando o tecido ao corpo, transbordando para as meias e sapatos e esparramando fumegante pelo chão frio da calçada.

- O que foi que eu te falei, desgraça de menino? – disse a voz do estranho, mas não era a mesma voz de antes, era a voz de Tom Hanscott, a voz do pai de Eddie, no mesmo tom que ele usava antes de lhe aplicar uma bela lição com os punhos.

- Você acha que pode me desafiar aqui, na porra da minha casa, e sair cantarolando? Que merda tem na porra dessa sua cabeça? – dessa vez era a voz de Cindy... isso o apavorou ainda mais, e o enfureceu. Quem diabos esse babaca achava que era pra ficar brincando assim com Eddie Hanscott?

Ele tentou reagir, forçar seus braços a golpearem, mas eles estavam tão mortos quanto suas pernas enquanto o som das correntes se aproximava mais e mais. Então tudo aconteceu rápido demais pra que ele pudesse ter qualquer pensamento coerente.

Um gancho metálico perfurou seu intestino, entrando pelas costas e saindo pela barriga, espalhando fezes e fluidos corporais pelo chão. Antes que pudesse processar a dor, Eddie foi erguido alguns centímetros do chão, os pés balançando molemente enquanto a ponta do gancho agora banhada em sangue erguia-se diante dos olhos dele, e apontou diretamente para onde deveria estar o seu fígado envenenado, cravando-se nele e saindo pelas costas, contornando-o para ficar frente a frente novamente. Eddie Hanscott urrou de dor e pânico enquanto o estranho parecia ter perdido completamente o interesse nele e recontinuado a andar para dentro do Carlton.

- Anthor igmo, azesh!

Foi a última coisa que Eddie ouviu, mas não a última que viu... ele ainda estava consciente quando viu o que parecia ser uma quantidade infinita de correntes surgirem da escuridão mortal e zunirem pelo ar, atingindo toda e qualquer pessoa dentro do hospital, empalando-as de formas grotescas, rasgando carne, ossos, e tudo o mais. Em questão de segundos o piso imaculadamente branco do Carlton estava pintado de vermelho sangue e tudo o que Eddie conseguia pensar, antes de ter seu maxilar arrancado pelo gancho foi que ele queria mais do que tudo agora estar em casa pra “meter umas belas porradas” em Cindy antes de currá-la.

Enquanto a vida apagava-se do corpo de Eddie Hanscott as correntes com ganchos na ponta cercaram a única pessoa do ambiente que não havia sido atacada, uma mulher alta e esbelta de cabelos curtos e roupas elegantes. Os ganchos afiados tremiam no ar, tencionando ao máximo os elos das correntes que os prendiam, como cães de briga presos pela coleira, prontos para atacar e dilacerar.

O Cenobita caminhou impassível pelo hospital, suas botas pretas chapinhando em sangue, sem tocar em momento algum nos cadáveres espalhados por todos os lados. Os olhos sem vida não desviaram-se por nenhum momento da linha reta que ele traçava, indo em direção à mulher, impassível diante de toda a morte causada, ciente de que logo mais humanos correriam para aquela parte do Carlton, um exército de curiosos chamados pelos berros de agonia e morte daqueles que estavam no andar térreo. Ele se importava com isso tanto quanto importava-se com as manchas de sangue que salpicavam as barras de suas vestes.

- Destiny Saint-James, obrigado por ter atendido ao meu chamado. – disse ele, sem nenhum traço de emoção na voz glacial.

- O Inferno a saúda. – completa ele, fazendo uma ligeira mesura terrivelmente vazia.

Uma nova aliança estava prestes a ser forjada em Vancouver. Uma nova aliança maldita.
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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Destiny Saint-James em Qua 19 Abr - 22:01


Destiny chegou a recepção do Hospital (OFF – No térreo – OFF), andava como uma visitante, distraidamente, segurando o balão e olhando ao redor, como se procurasse o local certo, como se estivesse à procura do quarto certo, como se estivesse indo visitar uma amiga que recém tivesse dado a luz.

Em sua mente, ainda conseguia ouvir a mesma voz, sentir a mesma inquietação de outrora, chamando seu nome e sugerindo a ela que aguardasse, que tivesse paciência, pois em breve ela o perceberia, sentiria sua presença.

Ela se sentou ali mesmo no hall, numa daquelas cadeiras longarinas, e por um momento observou os sapatos de salto, ainda sem compreender ao certo o que estava fazendo ali, em meio àquele amontoado de gente doente, sem entender qual o verdadeiro propósito de tudo aquilo, quando começou ouvir certa agitação na calçada lá fora.

Destiny levantou uma sobrancelha, focando sua atenção, ainda sem saber ao certo o que era tudo aquilo, conseguia ouvir uma balburdia sofrida e desesperada, e um som metálico indistinto. E claro, suas narinas foram inundadas pelo maravilhoso cheiro de sangue fresco. O vozerio foi se tornando cada vez mais alto, indo até o balcão da recepção e em direção a todos os cantos.

A vampira continuou sentada, arrumava a barra do vestido azul marinho, parecendo despreocupada, quando na verdade toda sua atenção era focada à gritaria que parecia se ampliar, tomando todo o local pouco a pouco. Destiny conseguia distinguir os dizeres gritados que cada vez mais pareciam mais apavorados, muitos gritavam palavras sobre o apocalipse, ou invocavam seus deuses. Ainda arrumando a barra do vestido, passando seus longos dedos sobre o tecido, ela esboçava um sorriso, era engraçado e patético ao mesmo tempo, como os seres humanos se apegavam as coisas vãs para trazerem um conforto fulgaz.

Muitos que não estavam ali no hall, mas que estavam nos outros andares e setores do Hospital, corriam em direção a gritaria, como se para oferecer ajuda, para verificarem o que estava ocorrendo, e até mesmo alguns tiros puderam ser ouvidos ecoando no salão, que perdia pouco a pouco a vida, a cada pessoa dizimada, mutilada pelas correntes do ser bizarro que executava aquilo de maneira magistral.

Até aquele momento, apenas os seguranças do Hospital, tentavam em vão deter o ser com tiros, a polícia de Vancouver ainda não havia sido acionada, mas até quando isso perduraria?

Alguns ainda corriam na direção do barulho, bem poucos na verdade, já que nenhum dos que havia tentado, estava vivo para contar história, até que um dos seguranças em um último esforço, num ato de bravura, ou de idiotice, apoiando-se no balcão da recepção, tentou falar, talvez alertar aqueles que ainda estivessem ali para ouvir, talvez para rezar por perdão por algum pecado cometido em sua medíocre vida. De sua boca apenas saía um som sufocado, asfixiado pelo sangue que escorria misturando-se a baba grossa que pendia de sua boca escancarada de lábios amolecidos e que já iniciavam um tom arroxeado. O peito do homem jazia aberto sangrando como se expelisse correntes que o atravessavam de fora a fora, até as costas. Piorando o cenário aos poucos presentes, a cada passada titubeante do homem em direção ao ser, ele deixava um rastro de sangue, tornando, juntos aos demais, todo o branco maculado das paredes e chão do Hospital como um mar de morte.

Destiny mantinha-se impassível, ainda sentada assistindo a toda a cena, como alguém na primeira fileira de poltronas do cinema, para um filme sucesso de bilheteria. O segurança logo caiu, estatelado e inerte no chão, tendo ao seu redor, apenas uma poça de sangue que aumentava pouco a pouco e que se misturava ao sangue dos demais.

A vampira despreocupadamente ergueu os pés, apoiando-os nas cadeiras da frente, não sem antes dar uma última ajeitada na saia de seu vestido, a cada segundo a poça de sangue expandia, e Destiny não se sujaria. Diante de todo aquele cenário bizarro, o ser andava lentamente, não demonstrava nenhum tipo de reação, sensação ou sentimento; apenas as manchas de sangue em suas vestes e rosto, se é que aquilo podia ser chamado de rosto, é que denotavam a carnificina há pouco iniciada.

A seu lado, uma senhora tocou a canela de Destiny, tentando talvez implorar ajuda, tentando arranjar forças para se levantar. A vampira limitou a mulher um olhar desinteressado, detendo mais atenção em sua canela manchada do que no pedido de clemência e no segundo seguinte, ao menor movimento dela, uma de suas sombras havia quebrado o pescoço da mulher, findando com a vida daquele ser insignificante, ensinando-a a nunca mais sujá-la.

As correntes, ainda ensanguentadas avançaram em direção da vampira que ainda se mantinha impassível, sentada silenciosa, observando que em todo o perímetro restara apenas os dois. As sombras dentro dela em reflexo queriam protegê-la, armarem-se, mas ela as calou, controlando-as, sentia que poderia tirar algum proveito daquela situação.

O ser aproximou-se finalmente saudando a vampira, as correntes ainda mantinham-se próximas, mas sem oferecerem perigo a ela, aparentemente. Destiny mirou o ser nos olhos e viu que nada havia ali, nenhum sentimento, nenhuma sensação, nem desprezo, nem ódio, nem prazer pela carnificina, nada, apenas uma imensidão gélida de negrume sem vida, devastado.

Destiny retribuiu a mesura com um de seus sorrisos de canto de lábios, sem deixar transparecer que ainda não compreendia ao certo o propósito de tudo aquilo, daquele chamado e principalmente o maldito choro de bebês que teimava em não sair de sua mente, ecoando em seus ouvidos. Ela tinha certeza apenas de uma coisa: O Príncipe realmente não esperava por essa, uma ajudinha do próprio Diabo em pessoa. O sorriso de Destiny ao ser abriu-se ainda mais, divertida diante de todo o cenário bizarro que se apresentava diante de seus pés, mas como dizem por aí: “Tá no inferno, abraça o Capeta”, e era exatamente isso o que Destiny ia fazer.


Última edição por Destiny Saint-James em Qua 19 Abr - 23:40, editado 1 vez(es) (Razão : Formatação e Correção Gramatical)
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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Jonathan B MacAllister em Qui 20 Abr - 23:29


Continuação: http://vampiro.forumeiros.com/t494p50-shaw-s-genetic-and-research#17259

A maioria dos empresários eram ensinados continuamente em seu ramo de trabalho como não expressar qualquer tipo de reação durante uma conversa de negócios. Afinal, você não iria querer que seu convidado saísse de lá com algumas cartas na manga e confiantes demais devido algum resquício expressivo que tenha dado durante uma reunião que insinuasse que eles teriam alguma chance de um bom negócio. Bom, esse não era o caso de Jonathan, e muito menos de Edward Shaw. O filho da mãe mantinha uma expressão de pedra, que o fazia lembrar muito a expressão de seu pai. Mas algo dizia que de alguma maneira Jonathan havia lhe chamado a atenção.

Jonathan terminou seu "discurso" e apenas aguardou alguma resposta ou ao menos um comentário sobre sua proposta, já que Shaw tão silenciosamente havia prestado atenção em suas palavras. Apenas o movimento de seus olhos e os as bebericadas de seu drink foram percebidos. Sem expressão facial ou corporal, sem sorrisos ou interrupções em seus dizeres. Jonathan deslizou a mão para dentro dos bolsos da calça social, uma demonstração de que estava confiante e confortável com a situação, fosse qual fosse a decisão de Shaw a respeito de sua proposta. Claro que a expectativa era que sua resposta fosse positiva, mas no mundo dos negócios, assim como em outras áreas da vida, nem tudo eram rosas, ou eram, mas cobertas de muitos espinhos.  

- Acredito que nos entenderemos muito bem, Sr. MacAllister. Analisarei bem sua proposta e em breve entrarei em contato para podermos discutir sobre ela e quem sabe até sobre assuntos menos burocráticos... um homem deve cercar-se das pessoas certas, não concorda?

A resposta que todo empresário espera ouvir. Jonathan estava satisfeito, parecia que uma proposta de investimento havia trazido mais benefícios do que ele imaginava, afinal, o que mais ele tinha em mente quando mencionou coisas menos burocráticas? Jonathan estava agora intrigado, não no mal sentido, no bom sentido, são raras as vezes que empresários conseguem uma segunda estratégia seja ela burocrática ou não, na primeira reunião. Talvez Jonathan seja mesmo um filho da mãe de sorte. Balançou a cabeça como num agradecimento. – Aguardarei o seu contato Sr. Shaw, espero que a proposta lhe agrade. E sobre nos cercar das pessoas certas, acredito que tenhamos começado com o pé direito. Jonathan retirou a mão do bolso e olhou para o relógio de pulso. – Sr. Shaw, mais uma vez agradeço a oportunidade, devo me retirar, pois como você mesmo deve saber, corremos contra o tempo, e não quero tomar o seu mais do que o necessário. Foi um prazer. Diz ele esticando a mão para cumprimenta-lo antes de deixar seu gabinete.  

Saindo do gabinete de Edward Shaw, Jonathan se depara com sua secretária. - Foi um prazer conhecê-la Senhorita Claire, até mais, tenha uma boa noite. Se dispede ele dando uma piscadela descontraida para a mulher.  Partiu em direção ao elevador. Por que sempre tinham que escolher o último andar? Aguardou o elevador enquanto fazia um mantra mental, segurou a porta do elevador aberta por alguns segundos, respirou fundo e entrou naquela caixa metálica vendo sua portas se fecharem á sua frente. Fechou os olhos e continuou seu mantra até chegar ao térreo e ouvir a porta se abrir, então, percebeu que estava segurando a respiração, que soltou calmamente antes de sair do elevador voltando sua postura.

Deixou o prédio da Shaw's Genetics e tirou o celular do bolso da calça para ligar para Oswald, mas avistou um taxi vindo ao longe, então pensou...Por que tirar Oswald de casa se o taxi ja estava logo ali. Acenou para o taxi parar e entrou no carro dando as coordenadas para o taxista. Baixou os olhos para o visor do celular e começou a vasculhar seus e-mails pra ver se havia algo de importante que precisava de sua atenção imediata, nada de tão importante. Ele levantou a cabeça e olhou pela janela um pouco embassada. Baixou o vidro da porta do carro para observar a vida noturna de Vancouver, quando derepente avista um andar determinado, um rebolado sedutor, como ele poderia esquecer aquele rebolado, aquele corpo.

- Destiny!! Pensou ele pedidno para o taxista parar o carro. Porém, devido ao seu devaneio, pensou que havia dito em voz baixa, então, subiu o tom de voz e pediu que ele parasse, mas nada de o taxista parar. Jonathan seguiu Destiny com os olhosquase colocando a cabeça para fora do carro, viu que ela entrou no hospital, ela carregava um balão consigo. Joanthan por sua vez começou a gritar para o taxista parar o carro, só então se deu conta de que o maldito estava com fones de ouvido, por isso não tinha o ouvido. Puxou o fone de ouvido do taxista e ordenou que ele parasse imediatamente, porém, o taxista já havia passado vários blocos do hospital. Jonathan jogou o dinheiro no colo do rapaz e saiu em disparada do carro. - Fique com o troco.

Nada melhor do quer estar em bom estado físico, ele correu em direção ao hospital carregando sua pasta de couro. Chegou em frente ao hospital esbaforido. Parou, respirou fundo para se recompor da corrida, ajeitou o terno e a gravata e começou sua caminhada para dentro do hospital. Derepente, uma pessoa sai correndo gritando, e duas, quatro....- Mas que diabos! Franziu a testa tentando entender o que estava acontecendo. Ouviu os gritos assim que foi se aproximando do Hall de entrada, e então se apressou numa corrida. Tinha alguma coisa errada. E antes que pudesse ver qualquer coisa, lá estava ele estirado no chão, sua pasta vôou de sua mão quando seus pés deslizaram em algo viscoso, e mesmo na tentativa de apoiar suas mãos no chão para amortecer a queda, essas também deslisaram na mesma coisa viscosa, e Jonathan acabou batendo fortemente as costas no chão.

O ar lhe faltou nos pulmões e sua visão escureceu por alguns segundo devido ao impacto. Vagarosamente apoiou os cotovelos no chão e levantou levemente seu corpo, algumas piscadelas e sua visão estava entrando em foco...Lá estava ela, Destiny, mas talvez não fosse, talvez fosse apenas sua visão ainda distorcida lhe pregando uma peça, pois aquilo que estava ao lado dela parecia ter saido direto do inferno. Jonathan ficou sem reação, seu corpo parecia completamente congelado, pregado ao chão, como a cabeça daquele ser, cheia de pregos, pinos, seja lá o que era aquilo. Por mais que ele quisesse se levantar parecia ter uma força maior o puxando para baixo.

Correntes estavam suspensas no ar, ensanguentadas, com pedaços de alguma coisa pendurados nelas, o homem estava coberto do que parecia sangue por todo o corpo, foi então que ele conseguiu tomar os sentidos e mexer uma das mãos, tirando-a do chão e levantando-a em sua frente, sua mão pingava um líquido viscoso vermelho, escorria pelo braço por dentro da camisa que não mais era branca. Olhou ao seu redor e se deu conta de que estava deitado numa poça de sangue e ao seu lado havia um cadáver. Qualquer pessoa sendo ela o cara mais macho da face da terra se exaltaria a ver uma cena daquelas, com ele não foi diferente. Soltou um grito e mais rápido que o The Flash ele se apoiou na parede, deixando rastros de sangue na mesma e se pois de pé. Queria perguntar a Destiny se ela estava bem, mas conseguia entender se tudo aquilo era real ou se algum cano de algum gás havia estourado e estava causando às pessoas há terem ilusões.
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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Rachel Solano em Qui 27 Abr - 10:34

Estar na mira de uma arma não é algo tão tranquilo quanto Rachel fazia parecer. O policial parecia realmente determinado a levá-la para delegacia, assim como tinha aquele semblante de satisfação, provavelmente ela era sua grande prisão do mês, um passaporte para a promoção. O que de certo modo era até um elogio, pra quem que mal tinha onde cair morta, estar na mira das autoridades era quase como ser querida por alguém.

“Pelo menos nós temos isso em comum, meu amigo Dheimos Dalton”.

Rachel tinha um objetivo em mente: sair dali o mais rápido possível, antes que o velho aparecesse e antes que batesse o ponto (novamente) no sistema da Polícia de Vancouver.

Rachel verificou no bolso de sua calça se possuía pelo menos algum dinheiro, algo que pagasse o uber que iria tirá-la dali. Grande decepção foi o que encontrou, talvez tivesse o suficiente para um ônibus e um chiclete. Ela teria que encontrar outra forma. Pegando sua mochila, Rachel levantou da cama e saiu do quarto de Dheimos, nem mesmo se incomodou em recolher a embalagem de seu chocolate. Este seria o resquício de sua passagem nada frutífera por lá.

Seu caminhar de pata a fez demorar mais do que o esperado para chegar ao lado de fora do bar. Com todo cuidado e delicadeza gatuna que lhe sobrara, Rachel fechou a porta e agiu como se nunca tivesse estado ali, com sorte nem teria câmeras naquele muquifo.

Estava caminhando para a parada de ônibus mais próxima quando a primeira pontada atingiu seu baixo ventre. Havia sentido a mesma dor pouco tempo atrás, mas não dera importância, pensou ser gases. Porém, agora o incômodo havia voltado.

Apoiando a mão em seu baixo ventre, Rachel encenou uma dor maior do que possuía e tentou conseguir uma carona. Por sorte, uma mulher de meia idade passava com seu carro naquele momento e lhe ofereceu uma carona para o hospital.

Na metade do trajeto a dor passou, provavelmente se tratavam de falsas contrações. Não era a primeira vez que ocorria, mas a assustou da mesma forma sempre. Rachel possuía planos para seu pequeno alien e isso incluía a saúde e bem estar do pivetinho até lá.

Acabara de descer no hospital quando a caos se instalou no prédio. Pessoas começaram a correr de dentro do prédio e os transeuntes do lado de fora começaram a acionar a polícia. Dentro havia uma enorme agitação, mas ela era incapaz de ver qualquer coisa.

“O que isso? O massacre de Columbine?”

Com medo de ser pisoteada ou arrastada pelos ensandecidos, Rachel atravessou a rua e encontrou um vendedor de cachorro-quente extremamente assustado.

- Estranho, né? Espero que um vírus zumbi não tenha vazado lá dentro.

O homem estava arrumando suas coisas, pronto para deixar o lugar, quando ela lhe ofereceu a única cédula de dinheiro em seu bolso:

- Pode me vender um desse antes, por favor?!

Ela comeria algo e esperaria ali, bastante curiosa por sinal, o resultado da muvuca toda.
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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Zanniel em Sex 28 Abr - 2:30

Eu me lembro da minha casa. Lembro do cheiro da grama carregado pelo vento, a sensação das agulhas verdes entre os dedos dos meus pés, a terra fofa abaixo das solas. Lembro das melodias das aves canoras ecoando nas colinas, das corredeiras de espuma branca dos riachos sob a luz que nunca se extingue. Árvores criadas no início das eras, o sabor das frutas maduras, mais doces do que o mel. Lembro da sensação da Presença, do calor aconchegante, lembro de como era me sentir ser cuidado. A ordem em cada detalhe, a constância, a segurança... eu me lembro da minha casa.

Eu sou Zanniel, e esta é a minha história.

Como todos os anjos, eu habitava o Céu, e como todos eles eu tinha a minha função. Era um dos ajudantes dos Profetas, os anjos encarregados de traduzir e divulgar as palavras da Tábua Celeste que são o registro vivo de tudo o que era, é e será na existência e cada uma destas fases é designada para as subdivisões. Tudo o que Era está sob a guarda dos Historiadores, o que É fica a cargo dos Executores e o que Será é a área dos Profetas, sendo esta a minha subseção, auxiliando-os. Era um trabalho fascinante e eu o desempenhava bem, através dele eu pude ver as maiores maravilhas e as maiores desgraças.

Por muito tempo eu me senti pleno e realizado, era uma tarefa menor se comparada às dos Arcanjos, mas eu encontrava nela tudo de que necessitava: entendimento. É uma coisa poderosa ficar tão perto de Deus, mesmo que meu contato máximo com ele tenha sido feito através de meros vislumbres ocasionais da Tabuleta, Ele não a tocava, mas as Suas palavras surgiam nela e saber disto, saber da Presença do Pai, enchia-me de um amor incondicional. E assim teria se passado toda a eternidade para mim, não fossem os acontecimentos recentes que me fizeram pela primeira vez colocar em questionamento as atividades dos Profetas.

As coisas nunca mais foram as mesmas depois da última visita de Gabriel ao Templo. Ele se reuniu com o Conselho dos Profetas, a portas fechadas... já havia visto Gabriel antes, o Grande Arcanjo, o Senhor Comandante das Legiões da Ira. O homem acredita ser filho de Deus, ele está certo em acreditar nisto... e também errado. Os Filhos mais Novos de Deus não são os homens, necessariamente, mas sim as almas... uma das forças mais poderosas da Criação, talvez mais do que os próprios anjos, embora não se tenha registro do embate entre eles, nem jamais se tenha ouvido falar de tal coisa. Mas um fato bastante simples nos leva a esta conclusão, uma vez que se os anjos foram as primeiras criaturas feitas pelo Pai, e as almas foram as segundas, Ele pode ter aprimorado sua criação.

As almas, assim como os anjos, são frutos do Criador, mas ao contrário dos anjos elas existem apenas em forma puramente energética, uma energia de poder indescritível até mesmo em padrões cósmicos. Contudo, cada alma surgiu de forma rudimentar, eram insípidas, caóticas, desprovidas de propósito ou razão. Então Deus criou o mundo conhecido como Terra, e as enviou para lá, e deu-lhes um corpo mortal para lhes servir de invólucro. E cada vez que uma alma encarnava, suas memórias eram apagadas, de forma que ela não conseguia se lembrar de sua existência pregressa, embora algumas passassem a arranhar a superfície, desconfiando de um algo a mais que sentiam mas não conseguiam explicar. E cada vez que seus corpos mortais pereciam elas retornavam à Fonte, e evoluíam, e reencarnavam, recomeçando tudo do zero... a cada morte uma evolução, algumas gigantescas, outras microscópicas.

Não foram poucos os anjos que se questionaram sobre a razão de ser destas criaturas, e qual é o objetivo do Pai com elas, afinal, por que Ele haveria de criar um sistema de evolução se poderia criar algo pronto e acabado? Nenhum de nós conseguiu respostas definitivas para tais questões, muitas teorias foram criadas, e o único consenso em que chegamos é que Deus age de forma misteriosa... um ensinamento aprendido até mesmo pelos homens. O fato é que ainda não se conhece todo o potencial das almas, nem se conhece nenhuma que já tenha atingido o estágio máximo de evolução, só posso acreditar que o que quer que seja que as aguarde no final, deve ser no mínimo fabuloso.

Desde a criação das almas, mais precisamente, desde sua encarnação em forma humana, toda as ordens angelicais foram rearranjadas, e desde então nossa função é auxiliar na sua evolução e fazemos isto com diligência a milênios. É nosso dever testar o homem, colocá-lo em tentação, para dar-lhe a oportunidade de resistir a elas, e ao resistir, evoluir. Assim, o pai que perdoa o assassino de sua filha ultrapassa a Ira, o marido que resiste ao adultério físico ou mental ultrapassa a Luxúria, o político que diz não ao suborno e às negociações escusas ultrapassa a Avareza, e assim por diante. Não é o diabo que os tenta, somos nós, os anjos... atrás de cada um dos 7 Pecados Capitais existe um anjo.

E assim, após a reunião com o representante da Ira, as coisas começaram a se tornar diferentes em meu trabalho. As traduções passaram a se tornar mais sombrias, a Tábua não era mais vista e o acesso a ela passou a res completamente restrito ao Conselho. Depois de tanto tempo lendo os textos sagrados eu comecei a não reconhecer mais as palavras, elas continuavam misteriosas, mas não conseguia mais sentir o toque de Deus nelas, não como antes pelo menos... era como se ela estivesse alí, mas oculta como os seixos nos rios, só surgindo quando a maré estivesse na fase vazante.

Esta inquietação me perturbava sobremaneira, algo estava errado, e ao mesmo tempo em que eu sentia este desconforto estranhos boatos passaram a circular entre os anjos... boatos de que as tropas da Ira estavam se reunindo em uma quantidade sem precedentes, e que passaram a treinar técnicas de combate com tanto entusiasmo quanto o fizeram durante a Rebelião de Lúcifer. Os boatos não demoraram a ser confirmados, mesmo nas regiões mais distantes era possível ouvir o retinir das espadas, o bater dos escudos, o choque provocado pela marcha das tropas... algo estava muito errado.

Desconfiado de meus superiores, eu me rebelei, esgueirei-me pelo Templo, era contra as ordens, era um desacato, mas eu estava com Deus e se Sua vontade fosse me impedir de seguir em frente Ele teria feito surgir quem me descobrisse... mas não o fez. E com um arrepio me dei conta de que talvez houvesse uma razão maior para que Ele não me impedisse, talvez pela mesma razão de ter passado a sentir a Presença cada vez mais distante desde a visita de Gabriel. Meus temores se solidificaram assim que pus os olhos na Tábua, alí estava, diante dos meus olhos as palavras que me fizeram congelar de pavor: “E assim virá dos Céus a Ira, e o Inferno caminhará sobre a Terra e com eles chegará o Anti-Cristo que será maldito desde o Céu até o Inferno e pelos dois protegido e ele trará a ruína de tudo o que é bom e de tudo o que vive. A criança não nascida será seu corpo, e a Salvação estará nas mãos de um Rebelde entre os seus e da redenção daqueles que estão perdidos”.

Nenhuma destas palavras foi divulgada, nada foi dito, nenhum alerta foi dado... a não ser um. Assim que saí do Templo os alarmes soaram, sinos, repicando em toda a abóbada celeste, trombetas anunciando a invasão do Templo e da sala da Tábua, um fugitivo foi visto se afastando do local sagrado, eu, Zanniel, eu o Rebelde, sendo perseguido pelas tropas da Ira. E assim, depois de incontáveis eras, sangue foi derramado no Céu, o meu sangue e o sangue de meus perseguidores... eu estava ferido quando cheguei, por isso precisei do casulo por tanto tempo e várias vezes acreditei estar morrendo, mas não estava... não era meu destino morrer daquela forma.

Eu encontrei os perdidos, e agora ando entre eles. Mas Gabriel também está aqui, e sinto a presença do Inferno. Agora tudo está sobre o fio de uma navalha, tudo dependerá de quem encontrará a criança não nascida primeiro.

===//===//===

Sinto falta das minhas asas, sinto minha energia se esvaindo a cada uso que faço delas... estar longe de casa está me afetando... se não poupar minhas energias em breve me tornarei um humano e já as utilizei mais do que o previsto... o teleporte da Queda até as instalações dos humanos, a cura de seus ferimentos e depois dos meus, mas não posso me preocupar com isso agora, a urgência me impede, por isso botei as roupas que me foram entregues (outra coisa a que terei que me acostumar) e teleportei novamente o grupo, desta vez surgimos em frente a um grande prédio, o local que Gabriel certamente invadirá em breve, se é que já não o fez.

Por precaução nos materializo longe dos olhares humanos, entre as árvores, vencemos com poucos passos a distância que nos separa da entrada da construção e me sinto paralisar pela segunda vez em minha existência... o banho de sangue, a filha de Caim, o Infernal... Deus, me ajude a ser rápido!

- Escondam-se! – não podemos ser vistos, ainda não.

- Escutem com atenção. Há dois inimigos lá dentro. A criatura de preto, um Cenobita, um ser do Inferno. Ele deve estar aqui para encontrar a Criança, com ele está uma das descendentes de Caim.

- Nós precisamos entrar no prédio, se a mulher que carrega a Criança estiver lá, nós temos que impedir que ela seja capturada por eles.

- Não posso descobrir qual é a mulher certa sem tocar nela antes, tenho que fazer isso fisicamente. Se usar meus poderes próximo ao Infernal ele detectará minha presença e uma luta será inevitável. Minha energia é limitada, não podemos arriscar mais do que o extremamente necessário.

- Preciso que vocês providenciem uma distração pra que eu possa entrar naquela construção, o que vocês sugerem?

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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Mestre do Jogo em Sex 28 Abr - 2:33

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O próximo post de vocês aqui pode ter a quantidade de linhas que vocês julgarem necessárias, não há limite mínimo (usem bom senso... senão... Gesuis vai chorar...)

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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Jack Latrell em Dom 30 Abr - 0:51

Mais uma vez o anjo nos teleporta. Eu não achava aquela situação comum. Preferia a boa e velha caminhonete, mas pelo visto com ele ali a economia no combustível seria algo certamente proveitoso.

Ele começa a falar sobre a invasão de um ser infernal e uma filha de caim, ou seja um demônio e uma vampira. Que casal legal, quem sabe eles não se casam, tem filhos e morrem de amor?
O que poderia sair dali? Outra criança demonia com fome de sangue que na verdade mataria a todos ali só porque o pai dela é o cão? Ah... Que dureza né?

Bom, o que ZanZan nos pede é que criemos uma distração para que ele pudesse entrar no hospital sem ser visto e conseguisse de alguma forma ficar mais tranquilo para sair colocando a mão em tudo que é mulher ali para tentar ver quem é que estava com o filho do cão no corpo. Trabalho bem simples e fácil para se fazer, lógico que os seres que estavam ali não saberiam quem estava com a criança né? Ao menos a gente espera isso...

Quando ele fala se alguém tem uma ideia algo pipoca em minha cabeça. Olho para a Jamie, sorrio. Abro a mochila, pego o coldre colete, onde a arma consegue ficar escondida atrás de mim e encaixada em um coletinho maravilhoso que mal aparece no corpo, visto que são duas tiras de couro no ombro e terminando em um X. Separo também um pente com oito cartuchos da espingarda que era o que daria para esconder ali. Tiro a minha blusa e encaixo o coldre em meu corpo, coloco a espingarda ali e olhando para Jamie e para o anjo confirmo que ela está escondida atrás de mim. Pego o casacão de couro preto que está ali na mochila, porque nunca se sabe quando vamos precisar de um casacão nessa cidade maluca. Visto o casacão e começo a tirar a roupa toda.

– Que é? Um negão desse tamanho correndo pelado com o piru pra fora e cantando Thousand Miles... Quem não vai prestar atenção nisso? O máximo que vão dizer é que estou louco e visto que essa cidade é meio doida mesmo, é até capaz que acreditem.... Atenção com certeza vou chamar. É onde vocês vão aproveitar os seguranças dali, ou o demônio e a demonia me procurarem. Se vierem pra cima de mim, eu meto bala neles... Pelo menos terão tempo pra ver o que podem fazer...

Termino de tirar a cueca e estando pelado com coturnos, um sobretudo que cobre até meu joelho, o pau pra fora e uma espingarda nas costas com mais um pente no bolso interno, eu me preparo para correr. Certifico me que dentro da bota a faca de prata está firme e forte amarrada para ser retirada caso necessário (ou você achou mesmo que eu não fosse contar com os conhecimentos dos Arcanos?) e por fim, o pequeno frasco com 50Ml de água benta. Coisa que raposa ensina, cachorro do mato aprende.

Olho para eles e digo por fim...

– Se eu puder começar o show, me avisem. Sei a música inteira, cantarei alto enquanto corro para cima deles, abro o meu sobretudo balanço o meninão e saio correndo para qualquer canto para que eles tentem me buscar ou algo assim, se precisar entro no hospital e desmonto qualquer guarda que esteja por ali, já que como disse. É a merda de um negão pelado... Enfim... É só me falar que eu já vou...
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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Roxy Evan em Ter 2 Maio - 22:18

Reviravoltas acontecem quando menos se espera, lá estava Roxy bela feliz e de certa forma muito excitada com tudo o que estava acontecendo, mas como sempre em sua vida, a alegria durou pouco e a estrada lhe trouxe de volta a realidade, lhe tirando quase tudo havia sobrado com relação aos sonhos e desejos.

A rua apesar de ser uma de suas paixões lhe condenava às vezes, já tinha perdido a conta de quantas vezes foi esfolada pelo asfalto e teve suas melhores roupas rasgadas. Dizem que os tombos fazem parte da vida, mas no seu caso fazia parte de sua total falta de atenção e degradação. Isso provavelmente não teria acontecido se ela estivesse em uma estrada de terra, a lama e a motoqueira tinham muito em comum, afinal se um dia do pó ela veio para a terra voltaria um dia, mas enquanto esse dia não chegasse Roxy a dominava, fazendo dela sua aliada, nunca perdeu uma competição de MotoCross, mas as competições em asfalto a deixava insegura.

Enquanto pilotava em sua moto com Erick na minha garupa, sua mente vagava em qualquer outro mundo que não fosse esse, e nessa  viagem mental não percebeu que estava passando por outro sinal vermelho, mas dessa vez não teve tempo para frear ou a sorte para ter passado ilesa, pelo contrario sua moto foi pega em cheio, graças ao seu ótimo reflexo e horas de treino, mesmo estando com a cabeça em outra dimensão a raposa foi capaz de saltar da moto antes dela ser jogada para o outro lado, e enquanto rolava nos asfalto ela só podia ouvir gritos, buzinas e o som de seu capacete batendo com força. Nesse ponto ela já não via e nem ouvia mais nada nitidamente, sua vista foi ficando turva e seus ouvidos só eram capazes de absorver os múrmuros, e a ultima coisa que pode ouvir com clareza foi o som da sirene da ambulância. Assim a escuridão tomou conta, a levando para um lugar distante, onde só as lembranças e os sonhos prevaleciam, já não sentia mais frio ou dor, seu corpo parecia não estar mais ali, ou melhor, parecia que ela já não estava mais em seu corpo e se acreditasse em reencarnação ou em qualquer outra crença religiosa poderia dizer que estava prestes a fazer a “passagem” como dizem, mas certamente não iria para o paraíso, afinal, como dizem lá tudo é muito claro e cheira a flores, no entanto só se via escuridão, e nenhum de seus sentidos foram aguçados.

Roxy agora estava inconsciente, seu corpo levou varias escoriações, mas nada grave, sua boa roupa de couro a livrou de perder boa parte de sua pele, o capacete que usava partiu ao meio, com a pancada que levou, mas sua cabeça ainda estava intacta, talvez seu rosto ficasse roxo, porém não chegou a levar cortes, ainda assim por segurança, os paramédicos que prestaram os primeiro socorros trataram de imobilizar seu corpo a prendendo na maca e colando em seu pescoço um colar imobilizador. Dentro da ambulância antes mesmo de chegar até o hospital ela começou a reagir, aos poucos seus sentidos foram voltando, primeiro ouviu vozes, e logo o som perturbador das sirenes, em seguida seus olhos tremularam com a claridade e enquanto se acostumava com a forte luz ela pode sentir ardência em varias partes do corpo, cotovelos, joelhos, mãos, e a lateral de seu tronco, todos ralados, e sua cabeça doía muito.

Assim que teve noção do que estava acontecendo ela se lembrou de onde estava antes, e se lembrou de Erick, ela não tinha ideia do que poderia ter acontecido com ele, sua cabeça doía muito e antes de chegar ao hospital seus sentidos voltaram a fraquejar, mas antes de apagar de vez ela ouviu os paramédicos tentando entrar em contato com o Hospital, e pelo tom de desespero deles, algo estava muito errado por lá.

__________________________________________________________________________

A fim de interromper a interação com o personagem Erick, o Mestre do Jogo autorizou tais ações sem rolagem de dados.
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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Matthew Kemp em Qua 3 Maio - 21:49


E aquela noite só melhorava, ou piorava? Matt não saberia explicar, e travava uma luta internamente para manter-se são, sóbrio e racional, quando na verdade a vontade de prostrar-se em posição fetal, no canto da sala, era imensa, grande a ponto de doer.

O fio que o mantinha racional, sem enlouquecer, era, naquele momento, acreditar piamente que havia sido criado, para aquele propósito. Toda a tortura religiosa e dogmática a qual fora submetido por sua mãe e irmãos tinha que ter um propósito e tinha que ser aquele momento.

Se não bastasse toda a maluquice nas Montanhas, agora eram obrigados a ver Latrell, na maior tranquilidade despir-se. Como se estivesse num belo dia ensolarado no vestiário do clube, ele, lentamente se despia, como se a paz mundial, e o futuro das nações não dependesse deles ali.

Matt observava-o despindo-se e pode jurar que ouviu um assobio tranquilo e desencanado vindo do brutamontes, enquanto finalizava a retirada de sua cueca e exibia seu pênis mole, mas que já deixaria muito marmanjo com inveja (OFF – né Matt??? – OFF).

E se aquela era a noite do pirocóptero, Matt ia só assistir de camarote e se Latrell achava que aquela era a melhor estratégia, porque discordar, com certeza, aquilo seria uma distração e tanto, exatamente aos modos que o anjo Zaniel pedira e enquanto isso, eles encobertariam, ou ao menos tentariam, uns aos outros.

Antes que todos realmente se arrumassem, criassem coragem e olhassem um nos olhos dos outros, depositando toda a confiança e suas próprias vidas um nas mãos dos outros, eles olharam o que estava por vir, miraram o prédio e sentiram ali o pulsar de algo terrível, uma força vil e que, com certeza, mudaria a vida de todos eles para sempre.

Enquanto todos encaravam seu destino, Matt acariciou seu isqueiro, talvez pela última vez, quem sabe e acendeu seu cigarro, talvez o último também, vai saber, tragou profundamente, enchendo os pulmões e finalmente liberando toda a fumaça na noite de Vancouver.

Respirou, inspirou e quando sentiu a coragem enchendo-o, arrepiando todos os pelinhos de seu corpo, engatilhou as armas, outrora dadas por Latrell, jogou o cigarro fora na rua e pensou consigo mesmo:

- 3, 2, 1 e lá vamos nós...


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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Jamie Mitchel em Qui 4 Maio - 20:56


Por mais que ela quisesse respostas concretas que desse sentido a tudo aquilo que estava acontecendo, ela tinha certeza que não teria, muito menos daquele anjo que estava ali por um propósito e certamente não se importaria com as consequências, seu foco era apenas um, e nada o faria mudar de rumo, nem mesmo sua morte pelo que ela pôde perceber. Vendo que não adiantaria reclamações, questionamentos, decidiu ceder e esquecer a estranheza de toda aquela noite até aquele momento, e fazer a vontade do peladão. Jamie não era religiosa, e muito menos entendia sobre anjos e demônios, mas uma coisa ela já havia aprendido sobre eles, eles eram um pé no saco.

Não havia mais como retardar o que estava por vir, Jamie checou os pentes de duas armas, pentes cheios, mais dois pentes cheios no bolso de trás da calça jeans, armas travadas, ela enfiou as duas no cos da calça nas costas cobrindo com a jaqueta, e as duas agadas na bainha interna das botas de cano alto. Prontos para a batalha, sem demora Zaniel os teletransporta mais uma vez, desta vez eles se encontravam na frente do Carlton Hospital. Sabia que muitas pessoas entravam e saiam dos hospitais com certa frequência, visitando entes enfermos ou por estarem doentes, mas as pessoas que saiam em disparada pela porta da frente do hospital não se enquadravam em nenhuma das modalidades. A reação delas eram como se estivessem sob um ataque terrorista, porém devido as circunstâncias acreditava que Zaniel teria um encontro com o irmão muito em breve.

- Parece que seus amiguinhos sabem como dar as boas vindas. Comenta ela sarcástica antes de Zaniel começar a dar as coordenadas do que precisava ser feito. Em resumo, não morrer e guardar a retaguarda do Anjo imortal. O que era meio irônico, já que ele era imortal, seria justo ele guardar a nossa retaguarda, mas como dizem, nada nessa vida vem de graça, e se teríamos que salvar milhares de vida do Apocalipce, teríamos que dar a cara a tapa, tecnicamente não só a cara.

Zaniel queria uma distração, e Jamie com sua mente estratégia pensava em uma forma segura para se infiltrarem no hospital, porém, antes que qualquer um pudesse dar alguma idéia, Latrell tomou a frente e por mais que Jamie tentasse negar o que ela tinha ouvido sobre o plano de distração de Latrell, ela sabia que era exatamente o que ele iria fazer, afinal, aquele homem era desprovido de pudor. Ela tinha que concordar que seria uma ótima distração.

Assim que Latrell começou a se armar e se despir, Jamie mordeu o lábio inferior tentando segurar uma gargalhada, mas foi inevitável quando ele se vira para o grupo estando completamente nu com suas jóias balançando. Nada melhor que uma boa gargalhada em meio ao caos para descontrair, e isso aquele negão sabia como fazer como ninguém.

- Isso vai ser hilário!! Comentou ela cessando sua gargalhada. – Eu não escolheria distração melhor, manda bala marrom bombom. Disse ela tirando uma das armas do cos da calça, distravando-a e se preparando para se mover e cobrir a retaguarda de Latrell.

- Matt!! Chamou ela indo na direção dele enquanto ele jogava a bituca do cigarro para longe. - Você vem comigo. Agarrou ele pelo colarinho puxando-o levemente para que ele a seguisse.
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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Arcanjo Gabriel em Sex 5 Maio - 23:18

- Aqui, Mister Bean... aqui... gatinho, gatinho, aqui, Mister Bean... – chamava a voz noite a dentro – apareça, Mister Bean, por favor... – era o quinto bloco de quadras que Peter percorria desde que a porta de casa se fechou atrás de si há cerca de 15 minutos – aqui, gatinho, gatinho, gatinho... apareça, Mister Bean... gatinho filho da puta...

As coisas não estavam dando muito certo para Peter, ele sabia que seria um dia daqueles assim que o telefone da sua mesa no escritório tocou logo na primeira hora do expediente e ele ouviu aquela (detestável) voz pastosa do outro lado:

- Hennn... olá, Norton, aqui é Dick Jordan. A reunião da Controladoria foi adiantada pra hoje, por isso eu vou precisar do seu relatório R37 em digamos... uma hora, então se você puder finalizá-lo até lá e trazer até a minha sala isso seria ótimo, obrigado. -  e desligou. Um relatório que ele ainda tinha mais três dias para concluir... ele quase podia ouvir o som do pau de Dick crescendo dentro das calças durante aquela ligação que fodia com o início do seu dia. Depois de não entregar o relatório no prazo, o que lhe rendeu um esporro bem educado (e igualmente orgasmático) de Dick sobre como ele parecia não estar se comprometendo com as metas da empresa, foi a vez de Helen entrar no campo de batalha:

-  Querido, eu sei que você está ocupado, mas será que você não poderia passar na clínica pra pegar o Mister Bean hoje antes de voltar pra casa? - porra... claro que ele podia, quem não adoraria ter que fazer um desvio de uns quinze quilômetros no horário de pico de trânsito pra pegar uma merda de um gato que conseguia com maestria fazer o seu nariz espirrar como um vulcão e te olhar com a segurança petulante de quem recebe a proteção doentia de uma mulher de 30 anos que não pode ter filhos?

A tarde veio com mais um mar de merda (incluindo uma passada “recomendada” no RH pelo adorável Dick para “alinhar seu comportamento ao da empresa e compreender melhor a importância dos processos internos”). A noite não começou melhor... como sempre, era impossível achar uma vaga para estacionar próxima de onde ele deveria ir, e como seu humor não estava lá nos seus melhores momentos, ele decidiu estacionar onde não deveria

- Vou pegar essa merda de gato e sair antes que alguém enche o saco. - foi o que ele pensou... mas não foi o que ele conseguiu fazer, não depois de ser atendido por uma funcionária que estava no seu primeiro dia e parecia estar lidando com o sistema usado pela clínica com a mesma habilidade de um cirurgião bêbado, o resultado disto foi um gato estressado, um terno transformado em cobertor de pelos, um braço lanhado por garras afiadas e um carro rebocado, o que o obrigou a ir de táxi até em casa no banco de trás de um motorista que parecia incapaz de parar de falar sobre o tudo e o nada ao mesmo tempo em seu implacável sotaque indiano.

Quando o alerta sonoro de “mensagem recebida” apitou em seu smartphone ele sentiu uma vontade imperiosa de abrir a janela do veículo e atirar o aparelho infernal pela janela, claro, não o fez... afinal, ele era Peter Norton, e isso significava que ele estava sempre pronto pra levar uma boa pisada na cabeça sempre que possível.

Inacreditavelmente o que ele viu ao abrir o whatsapp na mensagem de Helen não era mais um “como tornar o Peter mais miserável (ainda) hoje com tudo em cima”, ao invés disso apareceu a imagem de uma fabulosa morena com um sorriso lascivo dentro de um espartilho preto com detalhes vermelhos em uma pose que faria qualquer heterossexual (independente de crença religiosa ou da falta dela) se ajoelhar e agradecer a Deus por ser homem com a legenda “Será que o papai vai demorar?” escrita embaixo... Peter se inclinou para frente no banco e pediu ao motorista pra ir mais rápido... diabos, ele teria até corrido esbaforido a pé o restante do caminho até sua casa se não estivesse tão fora de forma e com uma porra de um gato nos braços, finalmente alguma coisa daria certo naquele inferno de dia!

Talvez tenha sido o karma, talvez o destino, ou talvez a quantidade de sangue desviada do cérebro para o pênis que o fez esquecer por alguns segundos que ao lado do seu banco ia uma criatura do inferno com pelos pretos e lustrosos, e assim que ele terminou de pagar a corrida e abriu a porta do carro, lá se foi aquele ser maligno que aquela morena fabulosa da foto e que estava cheia de perversões pra dar, tratava como um filho .

– Eu nunca mais vou transar na vida. – Peter não estava muito longe da verdade...

***

Bill Thorton terminava de bater o telefone sobre a mesa e deu um longo suspiro recostando as costas no couro da cadeira almofadada até fazer as molas rangerem, notou aleatoriamente que seu mandarim estava melhorando, foi a primeira vez que o seu forte senso de auto crítica o permitiu sentir que teve uma conversa fluida sem confundir termos ou ter que fazer pausas a procura de alguma palavra daquele idioma esquecida repentinamente em sua mente, e decidiu creditar a essa firmeza e segurança o fato de ter conseguido reduzir em 3,2% os custos do contrato de fornecimento de matéria prima com seu principal fornecedor na China após um extenuante debate que durou quase duas horas ininterruptas noite a dentro.

Os olhos fechados sentiam a luz que batia em suas pálpebras emitida pelo monitor de 21,9’ colocado sobre sua mesa, quando os abriu Bill endireitou-se na cadeira e usou o teclado para digitar no teclado o novo valor acordado dentro da célula abaixo do campo “Desconto” que ele próprio personalizou na planilha aberta antes de fazer aquela ligação... essa alteração fez os números pularem no fim da tabela onde se lia “Total das Despesas Operacionais – 2º Quarter”, o que por sua vez rearranjou os valores da tabela da segunda aba daquela planilha, a qual ele abriu e viu com um sorriso o novo valor que surgiu abaixo do campo: “Projeção de Receitas – 2º Quarter”, era um belo valor, sim senhor, um belo valor... e se tudo continuasse neste ritmo ele teria que muito em breve rever seu programa de investimentos para adquirir mais maquinário e mais mão de obra, os típicos “problemas” agradáveis advindos do sucesso.

Este seria muito provavelmente o décimo sexto quarter consecutivo em que as receitas da Industrial Light and Energy (da qual ele era Diretor industrial) registrariam alta, Bill podia até sentir o cheiro da Vice Presidência no ar. Era uma bela noite, ele era jovem, tinha uma carreira em plena ascensão, tinha um corpo que não era de se jogar fora e um bom tanto de pó branco da China cuidadosamente guardado num discretíssimo frasco de vidro depositado no bolso oculto de seu terno.

Depois de enviar um pouco deste pó via nasal para seu sistema e sentir o início do barato do produto, Bill Thorton saiu do seu banheiro privativo (sem câmeras, bem-vindo à privacidade, obrigado) e deixou o gabinete indo até o elevador panorâmico, admirando as luzes da cidade enquanto descia.

- Que haja luz! - diz ele, voltado para a paisagem, erguendo os braços como teria feito um mitológico (ou não) Moisés

- E Ele viu que era bom! -  emendou, disparando a rir, a cocaína agora tomando efetivamente conta de seu cérebro

- Ele viu que era bom pra caralho! - e riu ainda mais entre fungadas.

Quando passou pelo imenso balcão da recepção já havia se recomposto e caminhou com o seu costumeiro andar de executivo, a passos firmes mas sem pressa. Cumprimentou educadamente os vigias do turno da noite e passou pela porta de acesso à garagem e dalí deixou o prédio da maior fábrica e distribuidora de painéis de led da cidade para tras.

Desde que o mercado percebeu as vantagens deste tipo de iluminação em relação às tecnologias anteriores, a economia, a durabilidade, o “verde”, os números só faziam crescer, e Bill cresceu com eles e melhor ainda, agora tinha o gostinho de ver a inconformação silenciosa nos olhos do pai quando o visitava para jantares ou qualquer outro evento familiar, o mesmo pai que disse cinco anos atrás que ele se arrependeria amargamente de abandonar seu cargo de Comprador Júnior na rede de auto peças da família, o mesmo pai que o atormentava sadicamente como seu Chefe direto todos os dias quando ainda exercia essa função, o mesmo pai que quebrou o seu braço e por pouco não o pescoço quando o confrontou ao pé da escada ao descobrir que o filho andava frequentando motéis com travestis e o atirou degraus abaixo. Agora este mesmo pai tinha que engolir o sucesso do filho ingrato e degenerado.

Em face destas memórias, Bill pensou em dar uma passada na casa de Bill Sênior e deixar o velho saber que graças aos esforços do seu filho de hábitos embaraçosos a empresa registraria um lucro recorde.

- E agora vou sair pra comemorar com alguns... amigos... durma bem, seu velho escroto. -  imaginou-se dizendo, antes de dar as costas e sair pra pegar algum travesti que o agradasse para farrear a noite toda no apartamento cujo aluguel era pago em dinheiro vivo exclusivamente para este fim, que ele mantinha sadiamente longe de sua verdadeira casa

- E você vai ver tudo, papai. - pensou, visualizando-se sendo sodomizado de quatro olhando fixamente para o retrato austero do pai colocado estrategicamente sobre a cômoda ao lado da cama. Sorriu com o sentimento de antecipação, olhando o painel luminoso do banco em frente ao hospital Carlton, vendo ali uma das muitas provas irrefutáveis de seu sucesso, um dos painéis de led de sua empresa, que iluminava em todas as agências o nome SANTANDER, um painel que duraria no mínimo 4 anos mesmo ligado 24 horas por dia 7 dias por semana... talvez tenha sido algum efeito colateral da coca, ou alguma premonição sobre ter pensamentos mesquinhos em relação ao pai, mas algo dentro dele o fez sentir um rápido (mas assustador) golpe gelado quando as luzes do painel começaram a oscilar.

- E Ele viu que era bom! – repetiu baixinho para si mesmo, a voz tentando afastar o medo súbito...

***

Jack Burton dirigia tranquilamente o seu “Expresso da Meia-Noite” pelo manto asfáltico da cidade, pequenas gotículas de suor porejavam sua testa apesar do frio noturno enquanto ele soltava gemidos grossos entremeados a rápidas olhadas para a massa de cabelos loiros encaracolados que subia e descia sobre o seu colo, imaginando como explicaria a situação para os policiais caso algum deles dirigisse uma viatura alta o suficiente para permitir que pudessem ver o que ocorria dentro da boleia do caminhão

- Desculpe, Seu Guarda... eu tive que desviar de um buraco lá atrás e ela caiu de boca no meu pau. – claro, isso não explicava o fato dele ter que estar com o zíper aberto e a cueca arriada  para receber aquela mamada borbulhante, provavelmente diria o policial

- E o que o senhor acha que eu fiz antes de mirar no buraco, Seu Guarda? - ... os dois ririam e Jack seria preso.

Em vista do que aconteceria a seguir, quando Susan fosse comunicada do porquê seu esposo foi detido e só seria solto sob fiança, uma barreira reforçada de barras de metal entre ele e ela era provavelmente uma medida no mínimo necessária.

Não que Jack não amasse sua esposa, ele a amava, e achava de fato em sua mente modesta que nunca amara nenhuma outra mulher da mesma forma com que amava Susan, mas hey... ele é um homem, e homens tem suas necessidades como o bom Deus bem sabe, além do mais, Jack se considerava um “pilantra honesto”, ele nunca escondeu de Susan o fato de ser mulherengo, ela o conheceu assim e o aceitou assim.

No começo houveram algumas cobranças, claro, especialmente após o nascimento do primeiro filho deles, coisas sobre Jack “ter que começar a agir como o pai de família que agora era seu novo posto”, sobre ser “um exemplo a dar ao filho” e tudo o mais. Após o nascimento do terceiro filho e da imutável postura dele, Susan começou a se conformar com o fato de que o marido não tinha jeito mesmo e agradeceu por pelo menos Jack ser discreto, não arranjar galinhas perto de casa e nunca trazer nenhuma doença venérea pra cama com ela.

Além do mais, ele era um homem honesto, trabalhador como um cavalo, um pai completamente retardado pelos filhos e ela não tinha absolutamente nenhum motivo para duvidar da verdade quase ingênua com que ele dizia “eu te amo” todas as vezes para ela, e isso era muito mais do que ela sabia que poderia esperar de qualquer outro homem sobre esta boa terra, amém. Contudo, se ela conseguia se conformar com a situação, não quer dizer nem pelo mais breve momento que gostasse dela, e Jeeeee-suuus protegesse Jack caso ela ficasse sabendo de suas escapadas de forma escancarada.

Mas por enquanto a potencial fúria vingativa de Susan estava distante e a boca aveludada de Charlote... ou Jennifer... ou Candice, ou seja lá qual for o nome dela, estava infinitamente mais perto e o que os olhos de Susan não viam os ossos de Jack Burton não sentiam, só mais uma diversão da estrada pra ajudar o velho guerreiro a se manter acordado ao volante depois de quase 18 horas de trabalho, Jack não acreditava em pó de guaraná, em arrebites ou derivados, não senhor, “Uma boa chupeta, sem mordidas, por favor, obrigado” era o seu lema e o que ele se auto recomendava sempre que sentia as pestanas começando a ficar pesadas e difíceis de se manterem erguidas. Era um homem de apetites modestos... uma chupada aqui, uma trepada acolá e assim o mundo segue e ele sempre voltava para casa mais limpo que lençol de virgem e mais feliz do que o paciente que escuta um “é benigno” do seu médico.

Sob muitos aspectos Jack não passava de uma criança grande. Ele amava sua esposa, de forma honesta e verdadeira, e na sua mente o que fazia enquanto viajava era simplesmente parte de sua rotina, algo como beber uma cerveja gelada enquanto assiste aos play offs na tv, um mero hábito que o ajudava a se sentir bem e amenizar a saudade de casa.

Tão imaturo quanto este pensamento era seu gosto por alimentos nada saudáveis, Jack possuía um paladar completamente infantil, tinha urgência em sentir a explosão dos sabores enquanto devorava seus pratos... batatas fritas, costeletas de porco, panquecas, coxinhas fritas de frango.

- Quanto mais temperado melhor. Quanto mais gorduroso melhor.

Neste sentido Jack era o que os endocrinologistas poderiam chamar de prodígio clínico, não aumentando seu peso independente do que comesse; para os cardiologistas ele obviamente era visto sob um contexto bastante diferente, o de uma bomba relógio com pernas; para os nutricionistas... bem... assim que vissem Jack começar a comer eles certamente já estariam se atirando pelas janelas cortando os pulsos e entrando em estado catatônico tudo ao mesmo tempo e antes de atingir o chão.

E agora que ele acabara de receber uma profissional “lustrada no câmbio manual” era a hora de providenciar outro tipo de alimento, algo que ele ficou feliz em fazer após estacionar seu caminhão, fechá-lo bem fechadinho, e partir para um dos restaurantes de beira de estrada nas proximidades de Vancouver bem em tempo de ouvir um “Olha quantos caminhões, a comida só pode ser boa” de um sujeito que passava ao seu lado no carro de janelas abertas olhando com o ar de “está vendo com que homem inteligente você casou?” para a mulher no banco do passageiro.

Isso fez Jack sorrir... não que aquele estabelecimento em particular servisse comida ruim, mas sim pela lenda urbana criada e multiplicada de que a reputação de um restaurante podia ser medida pela quantidade de caminhões estacionados em seu pátio, o que era exatamente isto: uma lenda, pois o que atrai os caminhoneiros neste tipo de restaurante (na maioria das vezes) não é a comida e sim a oportunidade de estacionarem seus caminhões próximos o suficiente para não serem roubados e fora dos acostamentos das estradas em que poderiam ser multados.

- O de sempre, Grandão?

- O de sempre, Flor, e um café.

- Açúcar ou adoçante?

- Bota o seu dedinho dentro, vai adoçar muito mais.

- Este aqui?
– e lá se foi a garçonete merecedora com méritos de  três dígitos em qualquer balança calibrada, rebolando  sobre os sapatos sem salto, guardando o dedo médio dentro do avental.

Após ejacular feito um cavalo de reprodução e comer feito um javali qualquer homem com o mínimo de bom senso pediria uma cama e um mês de sono, já Jack, pediu a conta e voltou para o caminhão, ele tinha uma entrega a fazer e quando Jack Burton tinha um prazo Jack Burton cumpria o prazo, essa era uma certeza como a morte e os impostos, ele entregaria essa carga de querosene de aviação, receberia seu pagamento e voltaria pra casa... quem sabe até mandando um belo “Ohhhhhh Canadaaaaa” pelos ares enquanto troca o óleo em uma outra boquinha de veludo?

Essa era a ideia, mas depois de dirigir por mais de 2 horas e meia após o jantar e sentir 5 fisgadas no coração que fizeram o seu sangue (aquele que ainda conseguia passar por suas artérias com anos de entupimento progressivo causado pela gordura e colesterol estratosférico) gelar, ele começou a considerar a possibilidade de talvez, quem sabe, visitar um hospital... mas só depois de fazer a entrega, prazo é prazo.

E assim, Jack Burton entrou em Vancouver, seu coração ainda batia...

***

Enquanto caminhava pelas ruas da cidade ele sentia o fedor repugnante que enchia as suas narinas e ardia em seus olhos. Gabriel, o Arcanjo comandante da Legião da Ira, o braço direito de Miguel, que esteve ao seu lado nos combates contra a Rebelião de Lúcifer, agora chafurdava neste mundo dominado pelos macacos sem pelo, e os odiava ainda mais por isso.

Criaturas patéticas e beligerantes, incapazes de conviver em harmonia, e ainda assim se tornaram os preferidos de Deus, e ele, Gabriel, cujos poderes seriam capazes de transformar as cidades em sal e reduzir reinados inteiros a pó, tinha a obrigação de pajeá-los como as crianças que eram. Bem... não mais. Eventos planejados por eras finalmente estavam prestes a ser colocados em prática, e ao final deles, nada mais seria o mesmo.

Observando as emissões das energias vitais o arcanjo se move pelas ruas, sendo atraído para os pontos de maior concentração, em geral maternidades e hospitais onde as mulheres dão à luz, estes são os lugares onde as energias vitais se mostram mais fortes, catalisadas pelas forças que envolvem o nascimento de uma nova vida ao mundo exterior, a encarnação completa e bem sucedida de uma alma reluzente.

Não que ele esteja buscando por um destes pontos luminosos, de fato, quando encontrar o que está procurando os sinais serão muito diferentes de um show de luzes, mas os humanos são como a maioria dos animais, andam em manada, e essa manada geralmente procura por maternidades e hospitais nesta ocasião, por isso suas chances de encontrar o que procura é maior perto destas “manjedouras”.

Ao se aproximar do hospital seguinte a ser revistado naquela noite o arcanjo se detém na esquina, algo no ar chama sua atenção e o faz erguer a cabeça, farejando como um animal, identificando o odor trazido pelo vento, certificando-se de não o estar confundindo com o fedor dos humanos e sorrindo ao constatar que não.

Era um odor muito mais pesado e sem nenhum traço de bondade, o cheiro de um Infernal. Mas não era só isso... havia algo mais, mais dois cheiros distintos... um era de ganância e corrupção, de dissimulação e pecado, de vida e de morte abraçadas, uma Filha de Caim e o outro era pulsante e etéreo, o cheiro dos anjos... mas qual? Seria um dos seus, ou seria o fugitivo lacaio dos Profetas, Zanniel?

Pouco importava, o importante era que o Infernal estava ali, com certeza atraído pelos mesmos sinais que Gabriel, a alma do Anti-Cristo atraindo-os como polos opostos de um ímã. Era o destino (re)forjado no Céu atuando para livrar os anjos dos grilhões de escravidão e servidão às almas dos filhos mais novos de Deus e agora uma força de poderes incalculáveis se colocava em marcha para fazer o mundo dos homens sangrar. Quando tudo tiver acabado a história dirá que este foi o momento em que se iniciou o reinado dos Anjos, uma nova era sem a presença insidiosa das almas, quando o Pai enfim terá percebido o erro que foi confiar o seu amor a estas criaturas insípidas. Gabriel aperta o passo e desaparece no ar.

Quando o arcanjo reaparece, um negro de quase dois metros de altura começa a cantar e dançar nu diante da entrada do hospital chamando a atenção do Infernal e da Filha de Caim lá dentro enquanto alguns de seus companheiros macacos parece tentar se manter longe das vistas dos dois, e entre eles, Zanniel... o pária do Céu, Zanniel, que veria todo o seu esforço resultar em fracasso, pois ao lado de Gabriel estava enfim o que ele tanto aguardou e procurou: Rachel Solano, a incubadora do Anti-Cristo.

- Você tem algo que me pertence, mulher. Me dê, agora. – ordena ele, sussurrando no ouvido esquerdo de Rachel.

O corpo da garota começa a convulsionar, fazendo-a largar o que restava de seu cachorro quente. Sua barriga já protuberante pelo estágio avançado da gravidez começa a aumentar ainda mais, ela sente as dores da pele sendo esticada com força irresistível, o volume do interior do seu útero se expandindo dolorosamente, o feto chutando e se agitando dentro da sua hospedeira, tentando rasgar. Um líquido espesso e fétido começa a escorrer pelas coxas da mulher quando a bolsa estoura, mas o que se espalha pelo chão é viscoso e terrivelmente errado, nada parecido com água. Os seios de Rachel começam a arder como se estivessem em brasa até fazer o leite jorrar em profusão, mas apesar de ter a mesma coloração leitosa o líquido exala um fedor pútrido e ácido como se tivesse sido fermentado dentro dos intestinos de um animal doente e maligno e depois expelido enquanto ele era abatido.

Rachel dobra-se sobre os joelhos, as dores lhe cortando como facas, fazendo-a deitar no chão, rolando em agonia e colocando em seus gritos todas as forças que lhe restam.

- Lembre das aulas de lamaze, meu bem, respire e empurre... vamos lá, você consegue. – incentiva Gabriel, vendo que os gritos da garota chamaram a atenção de Zanniel.

- Tarde demais, faxineiro... lutou tanto e vai morrer na praia. – zomba ele

- Força, garota. Bota esse garotão pra fora!

Um gato completamente preto pula de seu esconderijo entre os arbustos e para observando com os olhos felinos a mulher com as pernas abertas na calçada fria do hospital, na plaquinha metálica balançando abaixo do pescoço presa à coleira de couro o nome gravado no metal: Mister Bean.

O imenso painel de led com o nome do banco do outro lado da rua pisca furiosamente, lâmpadas estalando e explodindo lançando faíscas na noite até não restar mais nadas das letras “N” e mais nada depois da segunda letra “A”, todas as luzes vermelhas ao fundo das brancas estouram, restando apenas umas poucas que formam uma figura “~” sobre o segundo A, deixando um escabroso SA TÃ iluminando a fachada do prédio.

Atrás do volante do Expresso da Meia-Noite, Jack Burton suando em bicas sente a maior fisgada da sua história, ele parou de contar na vigésima primeira vez que aquela dor horrível se repetiu nos últimos quilômetros, já estava quase na esquina do hospital Carlton a esta altura, acreditou que teria tempo de correr para a emergência... Jack estava errado.

Todo o volume do seu corpo desaba sobre o volante, o pé (sem o controle motor) afunda no acelerador fazendo o caminhão avançar furiosamente contra a calçada, inclinando-se pesadamente sobre as rodas que continuavam na estrada, até resvalar sobre a rampa de uma entrada de cadeirantes de um restaurante e emborcar de vez, arrastando o corpanzil metálico do reservatório de querosene pelo asfalto.

O caminhão tem seu avanço detido quando se choca contra um dos postes na esquina do Carlton, caindo estrondosamente sobre o reservatório, fazendo o conteúdo de seu interior jorrar pra fora, respingando pelo poste tombado de cabeça pra baixo na lateral do tanque e pelo asfalto abaixo dele, fios que conduzem eletricidade serpenteiam pelo ar faiscando, um deles atinge o rastro de querosene fazendo um faixo flamejante correr na noite, subindo pelo poste que se transforma em um uma cruz invertida em chamas.

Aos pés de Rachel o mal encarnado inspira o ar para os pulmões abomináveis... o Anti-Cristo chegou!
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Re: Carlton Private Hospital

Mensagem por Johann Fleck em Seg 8 Maio - 22:32

Os planos de Johann era ir até a casa da Madame Marlene para se distrair, mas o destino prega peças, e como para ele o azar o perseguia fica claro que diversão mesmo ele não poderia conseguir essa noite.

Como se não bastasse o caos que era sua vida, ainda teria que lidar com mais essa merda...

Bem vamos aos fatos, lá estava nosso amigo, pilotando sua moto em direção à via principal que o levaria para o lado norte da cidade de Vancouver, totalmente distraído com a paisagem noturna da cidade, com suas vitrines reluzentes e placas repletas de cores e propagandas inúteis, ia costurando os carros tranquilamente como se mais nada importasse, ele estava digamos que... desligado, com relação aos seus sentimentos e pensamentos atormentadores. Com sua mente livre das abominações e sentindo seu corpo leve, Johann arrisca olhar para o céu, estava mais fechado do que o normal, havia poucas estrelas e enquanto ele buscava o singelo brilho do luar um vulto entrou em sua frente, e ele mal teve tempo de frear.

-PORRA!

Foi só o que deu tempo para dizer, em questões de segundo ele se viu atingindo aquela moto em cheio, quem pilotava ele não sabia, quem estava na garupa, menos ainda, assim que sentiu o impacto da batida ele só teve tempo de serrar as mãos nos guidões da moto, na inútil tentativa de frear o veiculo, e seu corpo por ainda estar em movimento foi lançado para frente e com a força do impacto ele não foi capaz de se segurar em sua própria moto, logo estava plantado no asfalto, ele sentiu o impacto em suas costas, o que o fez retorcer-se como uma larva em brasa, e antes que pudesse tentar se levantar ele ouviu um grito seguido de um gemido de dor. Johann não sabia o porque, mas os gemidos e os gritos de dores alheios lhe atingiam de maneira diferente, quando eram dos homens que ele costumava torturar para obter suas respostas, lhe soava como balsamo, como o som mais prazeroso ao ponto de o deixar excitado, mas quando estes sons viam de uma mulher, seu corpo mudava, sua mente se comprimia a dor e ao pânico, era como se ele pudesse sentir a dor de quem estava gritando, e isso podia ser em qualquer ocasião, o som o deixava tão transtornado quanto a qualquer um ao ouvir o som de unhas chiando em uma lousa, a sensação e bem parecida de inicio, só é diferente pelo simples fato que ao ouvir um giz ou unhas chiando na lousa, a sensação de horror cessa assim que o som termina, mas para ele mesmo quando o som cessa, em sua mente ele continua ecoando como uma memória dolorosa.

Nesse impulso de dor e aflição mental misturados com as dores reais de seu corpo que agora começava a latejar, Johann se levanta com certa dificuldade, tira seu capacete e vai seguindo o eco daquele gemido, e assim ele avista uma moça vestindo roupas de couro e estatelada ao chão com joelhos e cotovelos visivelmente ralados e com seu capacete torto e rachado na cabeça, ele se desespera, e reúne suas poucas forças ignorando qualquer dor e corre meio manco ainda, pensando na pior das hipóteses. Assim que chega próximo ao corpo da moça, ele percebe que ela ainda respira porem esta desacordada, e tomando todo o cuidado do mundo ele tira o que sobrou de seu capacete, e ao ver seu rosto ele se assusta e seus olhos enchem de lágrimas.

-c-como assim? N-não pode ser...

Johann se apavora com a imagem que vê, ele dá alguns passos para trás levando suas mãos a cabeça, totalmente desacreditado, e um ataque de desespero começa a emergir de seu corpo, começando com o tremor e logo o formigamento, seus olhos ficando turvos, os sons se tornando múrmuros e o sentimento de tudo a sua volta estar se fechando, mas dessa vez Johann não teve forças corporais ou mentais para buscar suas pílulas em seu casaco como habitualmente, ele não conseguia para de olhar para aquele rosto, e mesmo o ar lhe faltando e tudo a sua volta girando ele só conseguia olhar para ela, e imaginar qual era a possibilidade daquilo ser real. Instintivamente eleva sua mão ao rosto daquela linda moça, mas antes que pudesse toca-la, alguém subitamente se aproxima o impedindo bruscamente. Ele assiste a pressa dos paramédicos socorrendo a moça, imobilizando-a cuidadosamente em uma maca e levando-a para a ambulância, enquanto tudo isso acontecia diante de seus olhos, outro paramédico tentava dialogar com ele enquanto verificava seus batimentos e outros sinais vitais.

-Hei senhor, seus batimentos estão muitos acelerados, o senhor está se sentindo bem? Sente dor no peito? – disse o paramédico massageando as mãos de Johann que pareciam estar se enrijecendo.

E em meio a toda aquela loucura Johann se lembra de suas pílulas e com um pouco de esforço ele diz:

-Pílulas... Bolso...

Sua vos sai forçada quase que entre os dentes, mas o paramédico entende e começa a buscar nos bolsos de Johann por algum vestígio de frasco ou cartelas de pílulas, até que ele encontra o frasco no bolso direito do casaco de Johann, e antes de lhe entregar ele lê o rótulo e só então ele entende a situação. Abrindo o frasco ele oferece duas pílulas ao Johann e antes de perguntar se ele precisa de água, Johann já estava mastigando as amargas pílulas.

Enquanto a solução química fazia  sua função o paramédico informa a seu colega a situação.

-Puta merda o cara toma pílulas de adrenalina com clozapina, você acha que ele pode sofrer de esquizofrenia?

-É possível, vamos deixar essa hipótese para os médicos, ele vai conosco?

-Não ele parece estar se recuperando, e o caso da moça é mais urgente, os policias tomam conta dele até outra ambulância chegar, nós temos que levar a ruiva para o hospital.

-Entendido, e quanto ao outro cara? Já foi encaminhado para o hospital? Ele sobreviveu?

-Cara não sei dizer, a outra equipe está prestando atendimento, e não quero perder tempo de ir lá perguntar.

-Sem problemas, informe a central que estamos a caminho.

E assim Johann vê a ambulância se afastando, e enquanto seus sentidos voltam ao normal um policial tenta interroga-lo, mas ele o ignora e se levanta acompanhando com o olhar para onde a ambulância está indo, sem delongas ele caminha até sua moto, os estragos não foram muitos, a roda dianteira estava empenada faltando alguns aros, as lanternas quebradas e outras partes estilhaçadas, sem se importa com que pode ter acontecido com o carona da moça e com os policias a sua volta, ele levanta sua moto, testa as rodas, e tenta ligar.

Assim que houve o ronco do motor ele não pensa duas vezes, sobe na moto sem se importar com as consequências de suas ações, e sai feito um doido, passando pelos policias que nem tiveram tempo de empunhar suas armas, seu único desejo era constatar sua dúvida, e seu destino era onde a moça estaria, na maior velocidade que sua moto conseguia atingir ele a pilotou, seguindo a ambulância que abria caminho facilmente pelas vias públicas, e ao chegar nas proximidades do hospital Johann se deparou com um desastre ainda pior.

Enquanto a ambulância fica parada na entrada lateral por onde entram as emergências, ele vai até a frente do prédio onde vê uma cena pior que poderia ter imaginado em suas ilusões de horror, e o cheiro que pairava no ar era de podridão.

Todos os fatos foram se desencadeando como um terror na frente do outro, primeiro ele vê um cara negro robusto nu correndo e cantando pelas ruas totalmente armado e seu alvo fica mais do que claro, um ser repugnante com o rosto coberto de pinos metálicos parecidos com pregos, e por todo lado ele via sangue. Quando ele pensou em pegar sua arma viu um ser aparecendo do nada atrás de uma moça que aparentemente estava grávida e no instante em que foi tocada pelo ser misterioso ela entrou em um estado caótico, o letreiro luminoso em frente estourou deixando apenas as letras SA TÃ, e quase que no mesmo instante um caminhão desgovernado acaba batendo no poste e uma risca de chama se acende e quando tudo já parecia ser uma visão do próprio inferno, o poste atingindo pelo caminhão agora estava de cabeça para baixo e em chamas, como uma cruz invertida flamejante.

-MAS. QUE. MERDA. É. ESSA.

Johann ficou extremamente confuso, nada ali parecia real, no entanto tudo era muito familiar, aquele caos se parecia muito com o que ele sentia, ouvia e via. As vozes que sempre ecoavam em sua mente enquanto seu corpo se tencionava, parecia estar viva pelo ar, os monstros que pareciam ameaça-lo em suas visões agora eram reais e o cheiro podre que exalava de suas vitimas, agora pareciam leves colonias francesas ao se comparar o fétido odor que ele sentia. Pela primeira vez ele se sentiu enjoado, e quase vomitou de horror.

No entanto a voz que ele ouvia agora não estava em sua mente, mas saia daquele ser com olhos infernais, o cheiro vinha da pobre mulher grávida que agora rolava no chão vazando por todos os lados, e num impulso de loucura sua única reação foi empunhar sua arma e ir atrás da ambulância, o mundo poderia estar acabando e toda a raça humana juntamente com ele estarem condenados a viver no inferno sob a Terra, e mesmo que o próprio demônio estivesse ali, ele não desistiria de tirar sua dúvida com relação àquela garota. E talvez sair de perto de todo aquele caos poderia lhe render mais alguns minutos de vida.
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