Uma Crônica minha feita para homenagear o clã que eu mais odeio

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Uma Crônica minha feita para homenagear o clã que eu mais odeio

Mensagem por Convidado em Sab 29 Jan - 3:48


‘Outono.’

Manhattan, New York, NY. 20:34. Outono.

Acordo no meu quarto.

Desesperado, suando. Desesperado e suando, quem diria que fosse capaz de sentir isso novamente, pois poucas eram as situações em que eu realmente me sentia ameaçado. Vampiros não sonham e difícilmente tem pesadelos. Mas eu acordei aquela noite com esse sentimento, de estar vivendo um pesadelo. Afinal estou morto, e não faz pouco tempo, e isso deveria me assustar em algum momento da minha não-vida. Parece não ser nada, besteira da minha cabeça bitolada, mania da conspiração e pressão que todos membros sofrem. Gehenna aqui, Gehenna ali, até parece. Mas dessa vez eu me senti ameaçado. Há anos eu estou sendo deteriorado por sangue, cigarros que não fumo, perversão, conspiração, mas principalmente, minha abstinência insana por não conseguir compor mais uma mera melodia de violino. Eu estava me tornando um Malkaviano! Que ridículo! E nem ao menos tinha tocado meus lábios no sangue amaldiçoado de um!

E como se na bastasse as sensações de acordar em clima de perseguição, também haviam aquelas malditas imagens. Vislumbres embaçados de ações do passado, pessoas conversando em festas, frustração musical, uma orquestra falha, minha família, os amigos que tive, meus amores e muito sangue. Todos morrendo, sendo dilacerados. A visão é de um ser negro, um demônio me perseguindo, me alcançando, me devorando, me consumindo. Uma diablerie na pele. A besta estava me consumindo, finalmente!

Será que estava sendo atormentado por algum lunático que quis brincar com minha integridade? Pra esquecer tudo isso, tomei um banho rápido, passei levemente a mão pelo meu corpo magro com musculatura razoalvemente definida. Era minha arma, seduzir, devorar, brincar, provocar sentimentos e ver os humanos e outros vampiros se entregarem ao caos. MAS PORQUE INFERNOS EU NÃO CONSEGUIA MAIS PRODUZIR UMA MERA MELODIA?! Isso estava me irritando, e pra variar, gosto de descontar minha frustração em alguém, um pretexto perfeito pra me alimentar e atormentar a vida alheia.

Coloquei um blazer cinza meio risca-de-giz, uma camiseta por baixo, nada muito chic, nada muito desleixado, diria que na nota perfeita. Uma harmonia, com meu violino costumava tocar! Arrumei o resto, calça jeans, botas normais. E sai do meu apartamento.

Virei da 11th street em direção à 3rd avenue. Não pude deixar de reparar nas cores do outono. Laranja, marrom, amarelo, bege. Tudo era tão vívido, chamativo, meus instintos se aguçavam e aquilo deixar-me-ia excitado se estivesse vido. Mas não, tudo estava tão morto ao mesmo tempo que volto de meus delírios e tentativas falhas de inspiração.

Cruzei algumas ruas. Nova York nunca para. O rebanho se move, ainda faz compras, troca as roupas, sai para paquerar e uns poucos românticos como eu fui sabem como usar dessa estação para desfrutar de boa companhia, bons sentimentos, um bom sexo. Sexo... quanto tempo eu não tinha vontade de fazer isso? Fazia uma ou outra vez, por motivos meramente alimentares, mas nunca sonhei que fosse capaz de devorar, literalmente, uma mulher.
Quando elas estão menstruadas então... hummm é uma delícia, o ferro do sangue seco enferruja-se literalmente entre as pernas delas. A lubrificação dá um sabor extra a vitea. Prefiro algo assim, selvagem, sujo, decadente. Porque eu já tinha me tornado isso, um ser rebaixado. Eu sou isso. Claro que nossa anciã jamais aceitaria meu ponto de vista sobre nosso clã ridículo, mas aquela puta-velha meia boca jamais pode entender meu desgosto e raiva de ser o que eu sou. De sentir o que sinto! DE NÃO SENTIR O QUE SENTIRIA!

As luzes me chamaram a atenção novamente, por pouco caio numa avenida que me levaria direto ao central park, e isso seria uma MÁ idéia. Não queremos aqueles animais peludos em nosso pé. Muito menos queremos terminar em suas mandíbulas. Já tínhamos problemas demais pra camarilla em Nova York, se é que a Nova York possa ser chamada de "cidade da camarilla". Essa pocilga de condenados está cheia de disputas, brigas, assassinatos e traição de tantos lados caininitas que ordem e posse são coisas que duvido que exista aqui hoje em dia.

Que ódio! Volto alguns quarteirões e me sento num café, daqueles meio blasé com cara de francês, onde sentam alguns colunistas de jornais importantes, romanceiros fracassados e escritores mirins. Um lugar fuleiro, decrépto e frustrante, como a música que queria nascer em mim, mas jamais conseguia! E a culpa era daquela puta-maldita que me transformou nisso.

Não que a imortalidade pareça uma maldição nos primeiros dias. Peço um capuccino na esperança de sentir algum gosto novamente... Era apenas um disfarce e mais cedo alguma humana se "encantaria" pelo meu estilo de galã solitário. Voltemos a imortalidade. Sim, sim é uma benção! No começo você quer, como um humano curioso e insolente, se entregar aos novos prazeres, ao sangue, ao seus poderes, a sua história. Até que começa a chatice, a politicagem e a conspiração.

O garçom trás meu pedido, ele usa uma camisa social com um colete de gala cinza, o lugar quer manter uma aparência estilosa e mais importante do que realmente é. Tomo um gole e volto às minhas maquinações. A sim, o abraço. Bem ocorreu há algum tempo... cerca de 150 anos atrás. É não sou tão novo assim, e fui esperto o bastante pra me afastar rapidamente dos relacionamentos com a seita. Apenas cumpro o mínimo, mas não me envolvo mais.

Naquela época eu era um violinista promissor, tinha vindo de uma família de classe média. Meu pai italiano. Imigrara nos EUA na esperança de terras, vida melhor e progresso. Pobre tolo, encontrou trabalho, trabalho e mais trabalho. Pelo menos ele se deu melhor do que se daria se tivesse ido parar naquela selva que chamam de Brasil. Não seria nada bom viver naquele inferno.

Ele era um homem legal meu pai, falava de sonhos, de ser uma boa pessoa, acreditar trabalhar, mas depois de uma década trabalhando doze horas por dia ele tinha perdido todo esse brilho e reclamava da comida gostosa que minha mãe fazia. Ah a minha mãe, ela era americana mesmo. Filha de uma família de padeiros, que irônico não? Mas o irmão dela herdara a loja, e ela dava aula de línguas e piano para algumas famílias melhores que a gente. Meu pai se apaixonou por ela, muito provavelmente por causa disso, esse ar europeu e italiano que ela queria exalar.

Uma garota passa ao meu lado me olhando. Ela sorri eu a convido para tomar uma bebida, pra se esquentar nesses dias que começam a esfriar. Ela diz que está com pressa e que não seria inteligente sentar com um estranho. Eu digo que um estranho com um sorriso tolo e com um pouco de dinheiro não é tão perigoso quanto uma mulher que esconde uma faca na sua coxa. Ela me olha espantada, eu dou uma risada, PEÇO pra ela sentar. Ela senta curiosa, eu falo pra que não se importe com o que eu percebi, que acreditava que ela ficava linda com aquele ar de preocupada, perseguida e independente que ela têm. Ela senta-se meio constrangida, dá um sorriso. Digo que aquele friozinho tem o poder estranho de unir as pessoas. Que conveniente pra mim, não? Ela cai na minha conversa, e pede um chocolate com conhaque. Ótimo, gostinho de álcool essa noite.

Voltando a minha 'criação'. Foi complicada: graças ao destino fui filho único, mas tive que cumprir a uma série de exigências educacionais rígidas. Sempre gostava de brincar na rua, mas dificilmente ia, sempre gostava de falar besteiras infantis para as meninas da minha idade, que me rendia uns beijos na bochecha, um e outro nos lábios. Aquela coisa infantil de garoto de 9, 13 anos. Não me recordo ao certo. Talvez porque poucas vezes deixavam-me ficar um tempinho a mais com elas. Resumidamente, me destaquei no violino e atrai a atenção da orquestra local que era famosa e pagava razoavelmente bem. Investiram por mim nessa carreira.
Ah meus pais! Bem eles se deram bem depois, meu pai conseguiu montar sua tabacaria italiana, que por sinal também servia café, um símbolo ilusório de um progresso mínimo em uma terra onde italianos aparentemente se davam bem.

A garota que está comigo se chama Christine, ela é uma humana interessante. Como todas as outras. Ela disse que carrega a arma porque ela sofreu coisas que seria melhor esquecer, mas que dificilmente conseguia, eu me mostro triste, digo que não queria tê-la feito recordar, e que pra compensar prometi a ela que a levaria pra uma noite rara nos dias de hoje, um passeio numa pracinha local, para conversar da vida, de sonhos, e se ela me achasse interessante(e eu sei que vai achar) ela poderia sentir-se livre pra visitar a minha cama. Falo exatamente isso, visitar a minha cama. Ela fica meio envergonhada, constrangida, mas levemente excitada. Ah como é gostoso ouvir esse som, Tum-dum, Tum-dum, o coração dela acelerando, batendo forte. Com VIDA.

Voltando ao Abraço. Elaine McBerson é o nome dela. Ainda continua 'viva' essa harpia de merda. Ela talvez tenha o triplo(se for muito sortuda e sábia como paga de ser. Sim eu gosto de fazer apostas altas e ousadas.) da minha idade. Foi bem simples na verdade, ela me seduziu da platéia, não consegui tirar os olhos dela, no intervalo de uma apresentação ela se levantou e FALOU comigo, na minha cabeça sabe, para eu procurá-la. É claro que eu fui, eu era idiota. E ela maravilhosa. Ela começou a conversa falando que me acompanhava desde quando eu tinha 14 anos, e que viu meu talento crescer e que agora, aos 22 ele chegaria ao máximo. Recordo-me dela vagamente, uma senhora que comprava coisas na padaria do meu tio e avô. Ela tinha ido em uma apresentação minha, na verdade, na primeira. Jamais a tinha esquecido. Como pude perceber somente naquela hora?!

Ela disse que estava num hotel próximo e me chamou para jantar, e claro que eu fui. Ironicamente o jantar ERA EU aquela noite. Eu adorava mulheres. Adorava pessoas que me intrigavam, como ela. E Elaine teve a atitude de vir falar comigo, ao invés de esperar que eu a seduzisse com algo mais além de olhar e destreza manual. E isso era digno de meu respeito. Pobre tolo. Bem daí pra frente você já pode imaginar... Se fizemos amor? Sim, ela deixou que eu a penetrasse, e jamais vou esquecer o seu corpo, ela tinha curvas suaves, como uma estátua de Michellangelo no mais belo mármore. Ela estremecia de forma inocente, mas sorria maliciosamente. Era uma combinação ardente, e minhas mãos, meus olhos, minha boca, tudo em meu corpo estava LOUCO para devorá-la... há! Que irônico novamente, e o devorado fui eu... Que ridículo. E assim aconteceu.

Christine é bela. A gente está na praça agora, apreciando as folhas, eu falo de fantasma da Ópera e do nome dela, e digo que ela é encantadora como a personagem. Ela fica tímida, diz que sou um cara cruel, que falo isso para todas. Claro que falo. Mas não exatamente do mesmo jeito e ela não precisa saber disso. Ela é daquelas mulheres que gostam de pessoas como eu. Um estranho misterioso que promete que vai fazer ela gozar pra caramba e resolver todos os problemas dela por ser atencioso e romântico. Provavelmente ela sofria de falta de atenção durante a infância e se tornou uma adolescente cruel com os homens, do tipo que se entrega difícilmente e que adora dobrar os marmanjos com palavras cruéis, afiadas e bem ditas. Mas que ainda sim, deixou-se ser violentada por ser uma megera inocente achando que nada vai acontecer com ela. Ah mais vai! E dessa vez será ainda mais cruel, pobrezinha...

Eu jogo um bolo de folhas pra cima e digo que ainda existem pessoas que conseguem improvisar cenas de cinema e que isso é trazer a magia pras nossas vidas. 'Trazer a magia pra nossas vidas"? Até eu me espanto! De onde eu tiro isso...? Falo que eu gostava do jeito dela, o sorriso, o medo, a vontade de vencer aquilo que já lhe tinha acontecido de ruim. Ela não resiste, vacila entre o choro e se entregar aos meus braços. Mas meu sangue é mais forte, se é que me entende, e ela se atira para mim ao invés de chorar.

Levo-a para meu apartamento. Um lugar singelo, até mesmo tenebroso. Como deveria ser. Ela fica com um medo, uma mistura de excitação, ansiedade e... pressentindo a morte. Ela repara que tenho poucos móveis, um e outro quadro... Eu pergunto se ela quer algo... ofereço um banho, digo que posso chamar um taxi para ela ir embora, que tenho dinheiro para isso. Ela vacila, olha pra mim convidativa, e eu não me seguro mais. Humanamente falando... Queria ainda que a fome se tornasse mais intensa. Então resolvi brincar no jogo dela.

Começamos a nos agarrar na sala, e temo que ficaremos por aqui. Assim que comecei a beijá-la, deslizando minha mão por sua coluna, seu pescoço e a outra levemente se aproximando de sua bunda(sim eu ainda tenho o jeito pra coisa), ela se arrepia e diz que eu estou meio gelado. Eu digo que é porque ela me deixa inseguro, pois temo estar forçando algo pra cima dela, ela ri e continua enquanto começa a tirar minha camiseta. Gasto um pouco mais do sangue para fazer a manutenção do meu corpo, não queria vacilar.

Conforme eu a arremato novamente para junto de meu corpo, uma mão na cintura, a outra em seu queixo, beijando-a. Logo busco seus peitos ela estremece e da um leve gemido. Agarro violentamente a presa. Começo a apreciar seu gosto, sua tez bege, suas roupas eu rasgo, mostro-me do tipo que perde a cabeça na cama, selvagem, e olho-a nos olhos sorrindo. Sinto o cheiro de Christine, seu sangue... Ela sente o medo, mas gosta, deixa-se tomar, como o esperado. Começo a degustar de seus seios. Mamilos rosados todo enrijecido, ela realmente tinha belas curvas. Tiro sua calcinha...deito-a no chão. Pego a mão dela e coloco no meu zíper. Ela abre, obediente, e se levanta para provar do meu corpo também. Deixo-a seguindo sua vontade, afinal ela merece um pouco do céu antes de eu tomá-lo de vez.

Penetro-a com vontade, como a vida que foi tirada de mim, com a frustração de nunca mais compor. Ela sente dor e prazer, ambos na medida certa, uma verdadeira harmonia. Sua voz e os sons de seu corpo vão provocando imagens em meus auspícios... Sensações do tempo que eu ainda compunha, mesmo sendo vampiro. As notas vão se perdendo, agarro seus longos cabelos e os tiro levemente de seu rosto, ela me agarra com força se mostra selvagem. Continuo seguindo nossa partitura. Lá. Ela gemia em lá menor, uma voz soprano com um leve toque tenor. Sinto-me tocando em meu violino novamente, esperando a música sair.

Olho sugestivamente para a faca que ela carregou. Ela capta a idéia. Coloco-a em suas mãos e digo: - Se vingue! Me corte e abandoe seu medo... Se abra para mim... Falo sorridente e com olhar cruel. Ela obedece. Ela pega a faca, com medo, prazer, derretendo-se e excitada e enfia próxima ao meu ombro, em meu peito. Por um momento ela fica com medo de ter me machucado, eu dou risada, ela retira a faca suavemente, e eu ainda manipulo seu corpo e espero por sua reação ao ver que eu sangro muito pouco.

Agora é tarde. Christine percebeu que está entregue à algo monstruoso e sobrenatural. Ela se assunta e geme ao mesmo tempo. É uma verdadeira artista, uma artesã do sexo melódico, do meu réquiem pessoal. Eu a beijo e falo para não se preocupar. Ela fica confusa e dà a faca para mim. Eu a olho espantado e curioso por ela ainda sim, continuar entregue à minha vontade: - Minha vez? Arqueio a sobrancelha. Ela faz que sim com a cabeça, mas me empurra para baixo. Entendi, ela quer vir por cima, está no ápice de seu orgasmo, quer gozar logo e entrar em seu mundo de prazeres... Assim como eu.

Conforme ela me deixa e começa a se movimentar em cima de mim eu aprecio o reflexo de Christiane na faca que seguro. Sinto o mundo ao meu redor. Cheio de vida. Cheio de morte. Cheio de dor. Cheio de poesia. Cheio de música. O gemido dela me devolve à partitura da minha Pequena Obra. Eu estava sentindo novamente! Eu iria conseguir, eu iria! EU QUERO ISSO! DEVOLVA A MINHA VIDA! Me excedo, me empolgo. Uma luz toma conta de minha cabeça e perco os sentidos por alguns instantes...

Acordo na minha sala.

Desesperado, pensando que meu coração está batendo novamente. Ele não está. Tenho medo, mas tenho muito mais raiva e frustração em minha alma do que medo. Se é que ainda tenho alma. Vislumbro novamente o que estava fazendo. Estou nu. Há um corpo no chão, ensangüentado, mas sem nenhuma gota de sangue também. Christine! Oh, não! Eu deixe-me tomar de novo pela Besta! E ela devorara Christine, como devorou Eliza, Mary Beth, Luisa, Celine, Anna Parker... e muitas outras mulheres.

Agora elas vivam em mim. Eu as sentia em meu corpo. Percebo que o sangue todo na sala é meu também. Eu havia me ferido, tomado do meu próprio sangue. Um vampiro bebendo de si mesmo. Tive medo, muito medo, senti que estava perdendo aquela luta! Minha música jamais se faria novamente! Jamais! Eu estava me tornando um lunático de maneira perversa!
Ódio, raiva, muito ódio e raiva com tristeza!

Marcas de dente nos meus punhos. Meus dentes. Marcas de dentes em Christine, meus dentes. Marcas de dentes eu meus braços, meus pés, minhas pernas. Meus dentes. Minha sala em sangue. Meu sangue. Minha cabeça se desfazendo. Meu sangue. Meu sangue... Minha cabeça... Meu Deus! Por favor me salve!

Isso tinha que acabar. E irá acabar hoje! Concentro-me em meus aprendizados. Sinto o meu Sangue! Os vampiros que tomei! Recordo das minhas quatro diableries. O amaranto proibido. Sangue, deles, meu. Nosso agora. O meu sangue. Sangue de Christine, Anna Parker, Mary Beth... Sangue de um brujah de décima primeira geração imprudente querendo enterrar seu punho em minha boca. Enterrou muito mais que isso. Sangue de dois lasombra que devorei na caçada de sangue, quando ainda participava do jogo escroto da camarilla. Sangue de outra toreador que devorei por mero prazer. Era isso. Sangue deles! O meu sangue! Tudo uma coisa só! E no final a frustração e agonia voltam sempre! Jamais criar novamente!

Era isso! O prazer máximo! O frenesi insano do gole do amaranto! Ela tinha que morrer! E vai ser hoje! A camarilla que se foda e me mate depois disso! Afinal é assim que tem que ser! Temos que morrer, mas antes, tenho um trabalho a fazer! Elaine! Minha Grande Obra!

As vozes das minhas vítimas, as vozes dos meus irmãos de maldição, falavam na minha cabeça! “Mate-a! Liberte-nos! Salve-se! Sinta! Pague por seus pecados! Morra! Viva! “. Eu deixo meu apartamento, dessa vez com um sobretudo negro e um manto. Já é madrugada, a hora perfeita. Ela vai morrer na minha orquestra pessoal! Vai acabar com essa dor e frustração! Vai ser minha ultima composição! Há se vai!

E hoje têm orquestra de Outono no Teatro Municipal. Outono... A minha parte favorita das Estações de Vivaldi

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Re: Uma Crônica minha feita para homenagear o clã que eu mais odeio

Mensagem por Convidado em Ter 28 Jun - 18:47

A crônica anterior eu não li por falta de tempo, mas esta eu li e gostei. Muito boa. Me deu até vontade de escrever uma também. O problema é o tempo...

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